Desculpe Sr. árbitro!

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A CULPA NÃO É DO ÁRBITRO…

A figura do árbitro nos dias de hoje é saco de pancada. Seja para descarregar frustrações e/ou para esconder limitações dos outros intervenientes, são poucos os que deixam escapar a oportunidade para massacrar o árbitro durante um jogo de futebol. No futebol de formação, infelizmente, o panorama não é diferente.

É fácil verificar que esta forma de “viver” o jogo tem um grande peso cultural e que dificilmente as mentalidades irão mudar num futuro próximo mas há questões que devem ser colocadas: até quando iremos ter árbitros disponíveis para apitar? O que está a ser feito para mudar este bullying gratuito e visível aos olhos de todos? Quem pode mudar isto e como? Que valores devem ser promovidos? Que comportamentos devem ser erradicados? E Como?

Actualmente temos jovens de 15/16 anos a apitar jogos de sub 10 sujeitos à pressão de pais e treinadores durante um jogo de Benjamins. Benjamins!? E se podemos ser algo reticentes em colocar adolescentes a apitar um jogo (haverá certamente custos e benefícios nesta iniciativa), temos que ficar perplexos pela forma agressiva e descabida que a maioria de pais, treinadores e adeptos participam no jogo com comportamentos inadequados e muitas vezes a roçar o ridículo quando o árbitro toma uma decisão.

Sabemos hoje que as associações de futebol têm grande dificuldade em garantir equipas de arbitragem para apitar os jogos da formação e se quisermos árbitros competentes a escassez ainda é maior fruto da forma prematura com que são lançados para a “arena”e devido ao facto do contexto não ser propício para a sua evolução natural afastando aqueles que até podiam ter algum potencial para a arbitragem.

Sabemos também que nas equipas de formação temos pais e treinadores que apresentam comportamentos incorrectos mas que felizmente (ainda) são uma minoria.

Posto isto, e para responder a algumas das questões apresentadas é importante que na formação:

  1. As associações de futebol tomem medidas que protejam realmente os árbitros que estão a começar dando-lhes as ferramentas e a segurança necessária para continuarem a evoluir
  2. Os clubes penalizem os comportamentos impróprios dos pais;
  3. Os treinadores promovam o respeito, a alegria e a paixão pelo jogo;
  4. Os pais apoiem os filhos e aproveitem o futebol para os educar;
  5. Os árbitros tenham uma atitude mais pedagógica, assertiva e corajosa.

Certamente que um árbitro que está na formação não vai para um jogo com o objectivo deliberado de beneficiar a equipa A ou B. Nem tão pouco fica satisfeito quando erra.

No fundo, a culpa não é do árbitro por querermos ganhar, nem quando perdemos a culpa será exclusivamente dele.

* Este texto não foi escrito por um árbitro

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