Dirigente vs Divergente – Precisamos de mais divergentes e menos dirigentes

In Artigos de Opinião, Dirigentes – Artigos de Opinião, Futebol by RedaçãoDeixe um comentário

Actualmente a classe dirigente tem a possibilidade (e responsabilidade) de elevar o nível da modalidade que representam como agentes desportivos (urgentíssimo no futebol). Caso contrário estará a contribuir para um final penoso sabendo que não decidir/agir é também uma manifestação.

Talvez por isso mesmo a Federação Portuguesa de Futebol, através do programa Portugal Football School, avançou com a realização de Cursos Básicos de Formação de Dirigentes na expectativa de dotar os dirigentes de ferramentas que lhes permitam rentabilizar os recursos que têm disponíveis e encarar de forma diferente o seu papel como agentes desportivos. Assim os dirigentes queiram.

O plano passa por sensibilizar os dirigentes para questões que, embora não sejam actuais pois são recorrentes em diversos programas de ensino superior, visam proporcionar um trabalho sustentado e profissional mesmo não sendo um clube envolvido em competições profissionais.

No contexto não profissional, são poucos os dirigentes que investiram na sua formação pessoal especificamente com o objectivo de desenvolver competências que julguem necessárias no desempenho das suas funções como “director” ou gestor do clube. Consequentemente é possível identificar erros recorrentes que não podem ser menosprezados e que devem ter nos sócios e nas entidades que financiam o clube os principais agentes reguladores. No entanto, a experiência de muitos destes dirigentes é um capital inestimável e não se deve desvalorizar.

Apesar disso, sem uma estrutura organizacional competente e sem a definição de funções e competências específicas para desempenhar os cargos de director de um clube, o desempenho global da estrutura desportiva fica comprometido. Este é um aspecto que limita a definição e o alcance de objectivos e se pensarmos que quem planeia não sente necessidade de investir em competências que lhe permitam ter um planeamento rigoroso e que permita controlar a evolução do processo, facilmente concluímos que muitas decisões são pouco sustentadas.

Nos dias que correm são poucos os que pretendem ser dirigentes de um clube. É uma função que é vista quase como o fim da linha do percurso desportivo de um indivíduo. Não tem que ser fundamentalmente assim. Assim como o grau de profissionalismo não deve ser medido em função da remuneração auferida para as funções atribuídas.

Dirigente é aquele que dirige ou tem um cargo numa direcção ou chefia e tem como tarefa definir o caminho mais sustentado para superar os desafios com que o clube é confrontado diariamente. Tomar as mesmas decisões ano após ano apenas pelo conforto ou medo de mudar é menosprezar indicadores e recursos limitados tornado o clube refém da boa vontade de alguns parceiros e torná-lo frágil perante a concorrência.

Não ter abertura para novas ideias (gente nova e dinâmica) e não ajustar políticas de intervenção ao longo do processo é negar o acesso a experiências enriquecedoras para sócios adeptos e simpatizantes que querem sempre mais e melhor para os seus clubes.

É importante que algo ou alguém se diferencie, sustentando decisões e definindo objectivos específicos com base em conhecimento científico conjugado com experiência adquirida. Só assim será possível divergir para um caminho que permita, como referi inicialmente, elevar o nível da modalidade que representam como agentes desportivos. Precisamos de mais divergentes e menos dirigentes.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.