O mental coaching no futebol de formação

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Com o “boom” das escolas de formação associadas aos clubes grandes e com os milhões que o futebol movimenta, o futebol de formação mudou o seu paradigma. Ao contrário do que acontecia até há umas décadas atrás, a formação de hoje é encarada muito mais como um passo necessário para se ser profissional do futebol do que como um processo de diversão dos jovens e formação de pessoas.

A partir de certa altura, os próprios pais começaram a pedir aos seus filhos que, em idade de formação, quase se comportassem como profissionais. Estas atitudes podem ter várias origens, como os pais passarem para os filhos o sonho de serem profissionais ou o simples facto de, ao verem um filho com jeito para a bola, o petiz poder ter ali o seu ganha-pão no futuro.

Só que, na grande maioria dos contextos de formação, as crianças, mesmo que tenham o sonho de serem jogadores de futebol, querem mesmo é divertir-se, estar com os amigos, “jogar à bola”. E é nesta diferença de objectivos entre pais e filhos que começam a surgir os primeiros problemas, que podem ter impacto profundo na formação pessoal das crianças.

A exigência dos pais em relação aos filhos leva, não raras vezes, a situações de fraca auto estima e pouco auto confiança, já que dificilmente estarão ao nível das expectativas criadas pelos próprios pais. Os pais até o fazem por bem mas o impacto fica lá na mesma.

Atenção, quem fala aqui dos pais, poderia falar também de treinadores… porque há muitos que cometem os mesmos “pecados”.

É por isto, e muito mais, que entendo que é cada vez mais necessário um acompanhamento aos jovens desportistas, ao nível mental. O Coaching, como a PNL, por exemplo, são muito mais que ferramentas para aumentar o desempenho desportivo. São, na sua essência, ferramentas para trabalhar todas as áreas do nosso ser.

A realização de um bom trabalho de Mental Coaching é bastante importante para ajudar as crianças a encontrarem o seu próprio equilíbrio, quer mental, quer emocional. Uma criança que se sente pressionada pelos pais – e não o diz aos pais, naturalmente – necessita de criar formas de se libertar dessa pressão, de ela não a afectar quando faz o que gosta: jogar futebol.

Sendo um trabalho de equilíbrios, outra área de importância é o excesso: de confiança, de auto estima, etc. Os excessos podem levar à criação de vedetas que, depois, não sabem lidar com uma falha que, por mais pequena que seja, pode ser encarada como uma catástrofe.

Em última instância, também a relação directa entre pais e filhos pode ser trabalhada, de modo a que possam encontrar a sua relação equilibrada, que ajuda os pais no apoio aos filhos e estes no seu processo de aprendizagem e evolução.

Neste momento, muito pouco ainda é feito nesta área e é cada vez mais urgente que pais, treinadores e clubes comecem a olhar para o Coaching como uma ajuda, um complemento ao trabalho físico realizado. Um acompanhamento realizado em contínuo, ajudará o atleta a ser mais equilibrado emocionalmente, a estar mais preparado a atingir os seus objectivos e, no final, a ser um melhor atleta ou uma pessoa mais equilibrada, na sua vida adulta.

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