Podemos tirar o miúdo do bairro, mas é difícil tirar o bairro do miúdo

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“Jogos de cabeça” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o lado psicológico do desporto. Os comportamentos, atitudes e emoções são palavras de ordem neste jogo.
Podemos tirar o miúdo do bairro, mas é difícil tirar o bairro do miúdo
Seguindo um trabalho feito pelo Ajax (equipa Holandesa), no qual se decidiu mandar os atletas para a rua (literalmente), com objetivo de descobrir a essência da prática do desporto rei nas ruas, e que desenvolvimento de competências / habilidades os jogadores ganham com esta prática, decidi falar um pouco sobre o “futebol de rua” e que importância tem para o desenvolvimento do jovem enquanto jogador.
Posto isto, a minha proposta irá prender-se, essencialmente, em discutir acerca do prazer pela prática de futebol e este, praticado “sem muitas regras”.
Cada vez mais, o futebol segue um caminho de maior “objetividade”, de algo muito mais pensado/estruturado, ou seja, algo que vai de encontro com uma espécie de controlo sobre o outro. Cada vez mais, há uma maior “proteção” sobre os novos craques, sobre os futuros artistas do desporto rei. Com a minha experiência, ainda não muito extensa no mundo do desporto, e mais propriamente na área mais psicológica do jogo, questiono-me, por vezes, se a motivação dos jovens para a prática do futebol ainda existe de forma abundante em comparação com outros tempos. Questiono-me, constantemente, se o bem-estar do sujeito não terá um impacto brutal no rendimento do atleta.
A sociedade está em clara evolução e as pessoas em constante inovação. Existem mudanças e mudanças estas a decorrer de forma constante. Cada vez mais, há uma exigência de resultado, há uma enorme vontade de se ganhar sempre! E por vezes, não percebemos que estamos inseridos num contexto de competição, onde a vontade de vencer o adversário é colocada acima de qualquer outra coisa, e nos esquecemos que do “outro lado” existem pessoas que querem tanto ou mais vencer do que nós.
A ideia do “futebol de rua”, passa pelo desenvolvimento de competências pessoais e interpessoais dos atletas.  E acredito que, de certa forma, se originam “memórias” por parte dos atletas, onde esta prática era constante nas suas zonas de habitação (principalmente jovens que moravam em bairros de cariz social). E, como referi no título do texto: Por vezes nós conseguimos tirar o miúdo do bairro, contudo, é difícil tirar o bairro do miúdo.
Os grandes clubes, cada vez mais, adotam este tipo de dinâmicas:  sair da academia, do treino, da fomentação orientada para o “técnico/ tático”, focando-se no desenvolvimento pessoal com maior autonomia! “AUTONOMIA”, algo que parece que vai desparecendo ao longo do tempo.
Recordo-me, com saudade, das publicidades de grandes marcas desportivas, que incentivavam à autossuperação, mostrando dribles fantásticos, excelente controlo da bola, agilidade e gestos precisos. Estes modelos, faziam as crianças “sonhar”, tentando imitar os seus ídolos e superando-se a si próprios.
Assim, nos recreios, nas ruas e fora dos espaços específicos para o efeito, desenvolvem-se competências que são importantes para o crescimento da criança, enquanto atleta, mas sobretudo, enquanto pessoa! Não importa se as balizas são sem rede, aliás, não importa sequer se há balizas! Basta vontade, imaginação e paixão!
Quando uma criança joga na rua, onde o piso é totalmente diferente daquele onde se treina constantemente, desenvolve imensas habilidades! Por exemplo, se a criança tem uma queda, ela estará a promover mecanismos de defesa para evitar novamente essa queda. O espaço é determinante.
Assim, para terminar, deixo uma pergunta retórica: Devemos ou não de abdicar de mais treinos de campo e levar os miúdos a “promover”, cada vez mais, a sua paixão pelo jogo, em zonas, onde muitos deles, começaram a sua prática pelo grande “amor”? Ou seja, promover mais “futebol de rua”? “
“Aquele jogo que só terminava quando a mãe chamava para jantar”
Seguindo um trabalho feito pelo Ajax (equipa holandesa) que decidiu mandar os atletas para a rua (literalmente) com o objetivo de descobrir a essência da prática do desporto rei nas ruas, e que desenvolvimento de competências / habilidades os jogadores ganham com esta prática, decidi falar um pouco sobre o futebol de rua e que importância tem isso para o desenvolvimento do jovem enquanto jogador.
Posto isto, a minha proposta irá prender-se, essencialmente, em discutir acerca do prazer pela prática de futebol e este, praticado “sem muitas regras”.
Cada vez mais, o futebol segue um caminho de maior “objetividade”, de algo muito mais pensado/estruturado, ou seja, algo que vai ao encontro de uma espécie de controlo sobre o outro. Cada vez mais, há uma maior “proteção” sobre os novos craques, sobre os futuros artistas do desporto rei. Com a minha experiência, ainda não muito extensa no mundo do desporto, e mais propriamente na área mais psicológica do jogo, questiono-me, por vezes, se a motivação dos jovens para a prática do futebol ainda existe de forma abundante em comparação com outros tempos. Questiono-me, constantemente, se o bem-estar do sujeito não terá um impacto brutal no rendimento do atleta.
A sociedade está em clara evolução e as pessoas em constante inovação. Existem mudanças e mudanças estas a decorrer de forma constante. Cada vez mais, há uma exigência de resultado, há uma enorme vontade de se ganhar sempre! E por vezes, não percebemos que estamos inseridos num contexto de competição, onde a vontade de vencer o adversário é colocada acima de qualquer outra coisa e nos esquecemos que do outro lado existem pessoas que querem tanto ou mais vencer do que nós.
A ideia do futebol de rua passa pelo desenvolvimento de competências pessoais e interpessoais dos atletas.  E acredito que, de certa forma, se originam memórias por parte dos atletas, onde esta prática era constante nas suas zonas de habitação (principalmente jovens que moravam em bairros de cariz social). E, como referi no título do texto: Por vezes nós conseguimos tirar o miúdo do bairro, contudo, é difícil tirar o bairro do miúdo.
Os grandes clubes, cada vez mais, adotam este tipo de dinâmicas:  sair da academia, do treino, da fomentação orientada para o técnico/ tático, focando-se no desenvolvimento pessoal com maior autonomia! AUTONOMIA: algo que parece que vai desparecendo ao longo do tempo.
Recordo-me, com saudade, das publicidades de grandes marcas desportivas, que incentivavam à autossuperação, mostrando dribles fantásticos, excelente controlo da bola, agilidade e gestos precisos. Estes modelos faziam as crianças sonhar, tentando imitar os seus ídolos e superando-se a si próprios.
Assim, nos recreios, nas ruas e fora dos espaços específicos para o efeito, desenvolvem-se competências que são importantes para o crescimento da criança enquanto atleta, mas sobretudo, enquanto pessoa! Não importa se as balizas são sem rede, aliás, não importa sequer se há balizas! Basta vontade, imaginação e paixão!
Quando uma criança joga na rua, onde o piso é totalmente diferente daquele onde se treina constantemente, desenvolve imensas habilidades! Por exemplo, se a criança tem uma queda, ela estará a promover mecanismos de defesa para evitar novamente essa queda. O espaço é determinante.
Assim, para terminar, deixo uma pergunta retórica: Devemos ou não de abdicar de mais treinos de campo e levar os miúdos a promover, cada vez mais, a sua paixão pelo jogo em zonas onde muitos deles começaram a sua prática pelo grande “amor”? Ou seja, promover mais futebol de rua? Aquele jogo que só terminava quando a mãe chamava para jantar”
Fonte:

Iury Leal

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