Entrevista a Luísa Pereira – O Atletismo corre na família

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O DSport esteve à conversa Luísa Pereira, atleta do  U.C. Eirense, a qual foi recentemente eleita pela NECDEF/AAC como atleta do ano. Junte-se ao DSport e descubra o percurso desta jovem atleta e como se sente após todos os esforços serem reconhecidos.

 

DSport – Luísa quando e como foi a tua iniciação ao mundo do atletismo? Houve influências externas ou foi uma paixão natural?

Luísa Pereira – A minha iniciação ao mundo do atletismo começou no 5º ano. Eu nessa altura praticava natação, mas nas provas de desporto escolar (mega sprint) eu era rápida, corria sempre que a maioria dos rapazes e isso foi o que chamou também a atenção dos professores. De vez em quando fazia alguns treinos de atletismo na escola, mas fazia os treinos de um modo mais lúdico do que propriamente a querer levar mesmo a sério a modalidade.

Mais tarde, já no 8º ano decidi sair da natação e a minha mãe, Lídia Pereira, disse me que eu não podia ficar sem fazer desporto e foi então que decidi experimentar o atletismo. A minha mãe acabou por ser a minha grande influência para vir experimentar esta modalidade visto que ela também é atleta e uma grande referência para mim.

Fui então para o clube dela e comecei a treinar no Fontelo. Sempre que lá ia treinar treinava sozinha, tinha a minha mãe a dar-me os treinos, mas aquilo acabava sempre em zanga. Na época seguinte comecei a treinar com o CARDES, clube onde estive cerca de 6 anos e onde me iniciei verdadeiramente neste desporto.

DSport – Quem foram os teus grandes influenciadores e ídolos?

Luísa Pereira – A minha grande influência foi sem dúvida alguma a minha mãe, não só por me apoiar a 100% como também pelo seu enorme historial. Em relação aos meus ídolos, sei que provavelmente é muito cliché, mas sempre tive o Usain Bolt como um ídolo, uma motivação e uma referência para mim. Lembro-me de ver Jogos Olímpicos e Mundiais em que eu ficava nervosa quando via as finais de 100 e 200m. Hoje em dia ainda vejo imensos documentários e vídeos de treinos dele e é algo que me dá imensa motivação. Já no lado feminino, também tinha como ídolo a Sanya Richards-Ross, na prova de 400m.

DSport – Que tipo de estilo de vida aconselhas para garantir uma performance máxima no atletismo? Que conselhos deixas a novos praticantes?

Luísa Pereira – É complicado definir um estilo de vida para garantir uma performance máxima no atletismo. Eu neste momento estou a estudar Ciências do Desporto na Universidade de Coimbra e quando me mudei para Coimbra senti uma grande diferença. Eu em Viseu, treinava cerca de 4/5 dias por semana e não tinha um horário muito preenchido. Para além de que vivia com os meus pais, o que facilitava imenso por exemplo nas refeições, etc… Em Coimbra vivo sozinha, estou por minha conta e tenho de me organizar. No meu primeiro ano da faculdade tinha um horário excessivo e acho que acaba por ser um bocado fora do normal.

Temos 11 cadeiras por semestre, apenas um dia da semana não tínhamos cadeiras práticas, de resto era todos os dias, e eu no final do dia ia sempre treinar. Foi algo que no início custou um bocado, não estava habituada a tanto desporto por dia e por semana. Estou agora no 2º ano e tenho apenas metade das cadeiras, o que me ajudou imenso nos treinos. Já não tinha o problema de chegar cansada a um treino e o meu treinador ter de mudar o treino todo com base no meu dia. Acho extremamente importante o descanso e acredito que precisamos de dormir as horas certas e descansar o tempo suficiente para um treino render melhor.

Um estilo de vida para uma performance máxima no atletismo seria dedicar-me a 100% à modalidade, mas isso é algo muito complicado e que acaba por não ajudar no futuro. Hoje em dia é essencial termos um curso, e eu não posso abdicar da Universidade para me dedicar totalmente a isto. Claro que gostava, mas é importante ter algo de base. É algo que acaba por sempre um pouco instável; no momento em que temos uma lesão que não nos permita continuar a praticar desporto, temos de ter algo com que possamos pegar.

Prefiro ir vivendo um dia de cada vez, vou conquistando e estabelecendo os meus objetivos, mas sempre de pés assentes na terra.

Os meus conselhos a novos praticantes de atletismo é que não desistam no primeiro obstáculo. É importante aprendermos a cair e sabermo-nos levantar. Não faz mal se perdermos um jogo, uma competição. Faz parte e é dessa forma que se formam os grandes atletas. Volto a referenciar o Usain Bolt, que é recordista e por múltiplas vezes campeão do mundo; ele também já perdeu, já fez falsa partida em plena final de um campeonato do mundo. Estamos sempre sujeitos a novos desafios, e isso é algo importante e que nos faz crescer tanto no desporto, mas também como pessoa.

 

 

DSport – O que representa para ti a recente eleição como atleta do ano? Como é que este momento pode influenciar o teu futuro?

Luísa Pereira – É significante e dá-nos motivação, porque sabemos que estão a reconhecer o nosso trabalho e isso é algo muito importante numa carreira desportiva. Tenho noção do meu mérito, mas também sei que existem imensos atletas na minha faculdade, nomeadamente os vários eleitos a atletas do ano, com percursos incríveis e grandes historiais. A nomeação em si é sempre boa para se ter num currículo desportivo e uma mais valia.

 

DSport – O que pensas sobre o impacto do Desporto Escolar, da formação e apoio aos clubes e a importância dos centros de alto rendimento no atletismo em Portugal?

Luísa Pereira – É importante haver Desporto Escolar e promover a atividade física nas escolas. O desporto escolar acaba por ser uma mais valia para as necessidades físicas, psicológicas e também sociais nas crianças. A atividade física deve iniciar-se desde criança e a formação dos jovens é essencial para o seu percurso. Hoje em dia existem imensos espaços e instalações dedicados ao desporto e é muito bom que o país esteja a crescer nesse sentido.

Em relação aos clubes, acho que ainda não existem assim tantos apoios quanto deveria haver, e o nosso país foca-se imenso no futebol, deixando para trás outras modalidades que têm tanto ou mais mérito do que este. Os centros de alto rendimento também são algo importante para o atletismo em Portugal, mas acabam por ser apenas vantajosos para quem vive ao pé. Sei que se vivesse em Lisboa teria muito melhores condições para treinar do que tenho em Coimbra, mas até hoje não tenho razão de queixa. Já treinei com menos condições, portanto ter as que tenho agora já é muito bom. Desde que haja uma pista, já é ótimo!!

 

DSport – Quais as tuas futuras ambições na modalidade?

Luísa Pereira – Como já referi antes, gosto de viver um dia de cada vez e ter os pés bem assentes. Estou a recuperar de uma lesão e neste momento só penso em ficar bem. Ainda vou ter 3 campeonatos nacionais, mas tenho noção de que não posso estabelecer objetivos como eu gostaria. Para a próxima época espero já estar completamente recuperada e aí sim, uma das minhas metas vai ser tentar bater o meu recorde pessoal tanto na pista coberta como no ar livre. As principais competições vão ser os Campeonatos Nacionais de sub23. Em relação ao clube, estamos neste momento apuradas para a 2º divisão nacional e vamos ter a final dia 21 e 22 de Julho em Braga e o objetivo da equipa é o título de Campeãs Nacionais da II Divisão.

Fonte:

Imagens de Joana Pereira, ADAL, Coimbra Running

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