Entrevista FDF a Luís Parente psicólogo do desporto

In Atletas - Artigos de Opinião, Destaque, Entrevista, Treinadores - Artigos de Opinião by RedaçãoDeixe um comentário

Luis Parente Psicólogo Desportivo (responsável pelo Gabinete de Alta Performance do Conselho de Arbitragem da Associação de Basquetebol de Aveiro), com passagem pela UD Oliveirense entre 2010-2013 e 2016-2018, licenciado e Pós-Graduação em Psicologia do Desporto pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior e Certificado de Psicologia de Alto Rendimento Desportivo pela FC. Barcelona Universitas

É um apaixonado pela sua área profissional, a Psicologia do Desporto, e considera-se um privilegiado por todos os dias ter a possibilidade de trabalhar no que mais o realiza e prazer lhe dá. Tendo tido a possibilidade de trabalhar com clubes, atletas e treinadores de alto rendimento e formação desportiva, com experiências em Portugal e fora do país na área do treino – A Psicologia do Desporto!

Sabendo-se da importância da psicologia na formação e desenvolvimento do atleta, gostaríamos de saber:

FDF: EM PLENO SÉCULO XXI, É O FIM DO “PULSO FORTE/MÃO PESADA” NO DESPORTO?

Luis Parente – Olá! Antes demais gostaria de agradecer o interesse da FDF – Futebol de Formação para a realização desta entrevista e pela sensibilidade que apresentam para todas as áreas do treino que englobam tanto a formação como o alto rendimento desportivo. Bem, vamos então focalizar nos conteúdos. Começamos por uma questão complexa, onde teremos que analisar antes do desporto, a sociedade em que vivemos e a sua evolução.

Estamos na era digital, na era do acesso fácil e rápido á informação, onde as crianças e as demais gerações têm tudo o que pretendem a nível de informação á distancia de um “gadget” qualquer. Devido a esta revolução tecnológica todo o processo de ensino/educação foi alterado. Já não temos nas escolas um paradigma passivo, onde o professor é dono e senhor do conhecimento e o aluno ouve e adquire. Hoje em dia temos a tutoria, uma linha mais horizontal e próxima entre o tutor e a criança… onde se abrem pistas na busca da informação e se promove muito a autonomia na busca do conhecimento. Ora, se na sociedade estamos neste enquadramento, é natural que, o desporto seja o seu reflexo.

Por isso, para mim isso da mão pesada e pulso forte já não é sinal de estimulo, direção e promoção de autonomia para o jovem desportista, mas sim um fator condicionante no seu processo de evolução. O treinador é como o professor na escola, um tutor, um facilitador, que tem como objetivo aportar um desenvolvimento pessoal, social e desportivo do jovem praticante. Todo este processo através de duas bases fundamentais: direcionar e despertar o permanente interesse pela busca de opções e tomadas de decisão. A sociedade mudou e todos nós como profissionais do desporto temos de ter a capacidade de nos adaptarmos ás variáveis que vão caracterizando cada geração.

FDF: QUEM TEM MAIS DIFICULDADE EM DIGERIR QUE A CRIANÇA NÃO VAI SER UM CRISTIANO RONALDO? O PAI OU O FILHO?

Luis Parente – A típica resposta de um Profissional de Psicologia… Depende!! Essencialmente depende de um fator que “mexe” muito com as análises e avaliações reais… As emoções, os sentimentos e as proximidades entre as pessoas, tornando-se mais exponenciais na relação pais-filhos. Tudo isto pode conduzir a expectativas irrealistas por parte dos pais e são estas expectativas desajustadas que muitas vezes prejudicam o processo de formação da criança.  Vamos então dividir este tema em duas partes. Na óptica da criança e dos pais.

Primeiro a criança. Uma criança tem sonhos e naturalmente referências desportivas. Quem aos 4, 5 ou 6 anos não deseja ser um Cristiano ou Messi? Ter aquela arte e talento. Aquele destaque social e a preponderância num grupo ao qual pertença? Todos! E nada melhor do que ser uma artista! Aplicando em grande parte dos casos, a  modelagem!!!! E como é bom esse fator de modelagem… direccionamos os nossos comportamentos de forma a aproximarmo-nos do que achamos ser uma referência. Por vezes é desajustado? Sim! Essencialmente na pressa em evoluir e na gestão de alguns fracassos e dificuldades que claramente poderão surgir neste percurso. Na criança tudo isto é normal! Porém, quem tem de ter a capacidade de antecipar, agir com racionalidade e direcionar? Os responsáveis pela formação da criança: Clube, treinadores, demais agentes e claro os pais!!

Vamos então entrar na perspetiva dos pais. Algumas citações habituais que geralmente são desajustadas e provocam uma excessiva pressão pelo resultado e pelo crescimento rápido… podendo este aspeto ser  limitador no processo de crescimento natural da criança enquanto ser humano e desportista. “Filho ganhaste?”; “Quantos golos marcaste?”; “Pessoal, o meu filho marcou dois golos hoje… eles perderam mas o meu filho joga muito.” “Filho não percebo porque saíste para entrar aquele teu colega… ele não joga nada e o teu treinador não ve isso”. “Marcas dois golos hoje e dou-te cinco Euros.”

Todos estes aspetos orientam a criança para o resultado, para a obtenção de algo estatístico de relevo (o que muitas vezes é so o golo e o facto de jogar ou não), promovendo, stress, condicionamento e essencialmente dificuldade de gerir o erro, que é algo que tem de ser considerado normal em qualquer faixa etária e ainda para mais na formação, onde se deve autonomizar as escolhas na tomada de decisão.

Os pais têm o dever de apoiar o filho na sua prática, dar o suporte financeiro e logístico necessário para uma prática permanente, garantindo também a felicidade e realização na sua atividade desportiva. Em vez de dar instruções e feedbacks técnicos ou estabelecer objetivos de resultado irrealistas, porque não pegam os pais numa bola e vão jogar com os seus filhos. Certamente seria um momento mais feliz e enriquecedor para a família.

O desporto deve ser sempre canalizador de valores pessoais, sociais e de conhecimento especifico de uma modalidade. Nos clubes existem garantidamente profissionais qualificados para a promoção de um desenvolvimento correto da criança. É papel dos pais colaborar e divertir-se com o crescimento da criança.

FDF: OS PAIS PRECISAM DE MAIS PSICOLOGIA DESPORTIVA DO QUE AS CRIANÇAS?

Luis Parente – Bem, basicamente estendi-me na questão anterior e penso que já respondi a esta. Os pais necessitam de ter um conhecimento exato do seu papel no desporto, das suas funções. É responsabilidade dos clubes desenvolver essa sensibilização, envolver os pais, esclarecê-los e mantê-los informados do processo. Uma relação de inclusão ao contexto desportivo é um excelente principio para que estejam construidas bases fortes para um processo positivo e eficáz. Porque não desenvolver uma claque de pais? Os próprios pais desenvolverem normas e regras de conduta? O importante é criar momentos onde sejam integrados. Nem todos os pais têm de ter conhecimento sobre qual o seu papel no desporto (atenção que alguns têm esse conhecimento) ! Cabe ao clube desenvolver também esse trabalho!

FDF: QUE DESPORTO DÁ MAIS IMPORTÂNCIA À PSICOLOGIA DO DESPORTO?

Luis Parente – Posso referir que no inicio da minha carreira desportiva, em 2010 na União Desportiva Oliveirense o conhecimento era muito pouco sobre o papel da Psicologia do Desporto num clube.  Associava-se muito a outras áreas da Psicologia que não a do Desporto, o que conduziu a um período de esclarecimento e sensibilização. Pois como sabemos a Psicologia do Desporto é treino, integra-se no planeamento da equipa técnica como a área física, técnica e tática, é um trabalho multidisciplinar. Com o decorrer dos anos e com os esclarecimentos/exemplos públicos que têm surgido na comunicação social, esse conhecimento já é mais significativo, notando-se apesar disso ainda alguma resistência à integração de um profissional desta área.

A minha experiência de carreira e os projetos que tenho abraçado dizem-me que os desportos de pavilhão estão claramente mais disponíveis para integrar profissionais desta área, bem como os desportos de caráter individual. No futebol, para além das estruturas top como os três grandes, e mais um ou outro clube, a resistência ainda está presente. A minha questão é “Se o treino contempla quatro áreas fundamentais, sendo uma delas a área psicológica. Porque é que os clubes têm treinadores, preparadores fisicos e não têm profissionais na área da Psicologia do Desporto?” Quem avalia, identifica, desenvolve planeamento e intervém nesta área do treino?  Uma área que serve para tanta justificação de sucessos e insucessos desportivos tem de ter controlo e monitorização no desenrolar da época desportiva!

FDF: COMO SE GERE MELHOR OS FRACASSOS DESPORTIVOS, INDIVIDUALMENTE OU EM GRUPOS?

Luis Parente –  Boa questão! Os fracassos gerem-se, independentemente do contexto individual ou coletivo escolhido. Aqui temos de analisar a questão do que é o fracasso. E vamos definir então que é a incapacidade que uma equipa apresentou ao não atingir um objetivo definido no inicio da época. A isso estão ligadas as emoções, sendo as três principais emoções a euforia, a raiva e a depressão. Neste caso, falamos de duas que poderão surgir, a raiva ou a depressão. É natural surgirem pensamentos catastrofistas “de que tudo foi mal feito”, onde colocamos em dúvida todo o trabalho desenvolvido no decorrer da época ou de um determinado período da mesma.

Falo de atletas e treinadores. É dever do treinador distanciar-se deste tipo de emoções e pensamentos e apresentar um distanciamento que lhe permita fazer uma avaliação factual e objetiva dos acontecimentos. Aspetos a manter, desenvolver, eliminar e acrescentar. Direcionando o pensamento da equipa para a solução e para o que realmente deve desenvolver para continuar a evolução da equipa e dos seus elementos. Tendencialmente este processo faz-se em grupo, com a presença de todos os elementos da equipa. Quando se trata de um contexto individual geralmente aborda-se num  1 para 1, entre o treinador e o atleta. No entanto, cada contexto apresenta as suas características, sendo essencial ajustar a atuação ao meio onde estamos no momento atual.

FDF: OS SUCESSOS DESPORTIVOS TAMBÉM DEVEM SER GERIDOS?

Luis Parente – Como referi na pergunta anterior, temos três emoções totalmente prejudiciais á nossa estabilidade para tomar decisões eficazes, ou seja para estarmos a um alto nível psicológico e desportivo. A que se refere aos sucessos, é a euforia. Que nos faz gastar energias excessivas e dispersar atenção do que é essencial. Dando um exemplo claro, imaginemos uma final-four de uma competição de destaque. Na meia final a nossa equipa vence o principal candidato ao titulo e na final defrontamos um outsider.

No Hotel verificamos descompressão da equipa, frases onde se planeia como festejar a vitória e algum relaxe aparente, onde os níveis de ativação não são nada favoráveis a uma final. A que se deve isto? A uma descarga total de energia positiva após a vitória na tal final antecipada e numa orientação para o resultado (na comparação com o adversário da final). Define-se um plano de jogo e a equipa por sentir superioridade desenvolve um conjunto de tarefas não estabelecidas no plano, conduzindo á derrota na final. O sucesso tem claramente de ser gerido, como?  Com planeamento prévio (rotinas logo após a meia final, que não causem dispersão), com identificação (variáveis de risco – como relaxamento) e direção por parte da equipa técnica (direcionar a equipa para uma orientação motivacional (aspetos que controla e evitar comparações) e para o processo (foco no processo – plano de jogo e não no futuro – Potencial vitória)

FDF: UM TREINADOR POR SI SÓ JÁ É UM PSICÓLOGO?

Luis Parente – Não! Diria mesmo de outra forma, um treinador tem de apresentar um conhecimento especifico dos aspetos técnicos e táticos do jogo e um conhecimento geral de todas as outras áreas que envolvem o treino, não substituindo o profissional em psicologia do desporto, preparador físico, ou analista. O treinador é o líder de uma equipa técnica multidisciplinar, que toma a decisão final das propostas colocadas pelos restantes elementos da sua equipa. Os restantes elementos avaliam, planeiam e propõem treino nas variaveis que dominam.

FDF: O QUE PODE UM PSICÓLOGO AJUDAR, QUE UM TREINADOR NÃO POSSA FAZER ISSO?

Luis Parente – O profissional em Psicologia do Desporto, desenvolve um planeamento anual especifico que será integrado no planeamento anual geral da equipa. Vamos lá transformar isto em prática. Quando estou integrado numa equipa técnica de um clube desenvolvo trabalho individual com atletas (com sessões em gabinete e no campo dependendo da fase em que o trabalho se encontra), com o treinador (a potenciar habilidades associadas ao seu papel de líder de equipa) e com habilidades a integrar no treino. Todo este trabalho requer metodologia, e é este fator que o treinador não pode desenvolver, a vertente metodológica associada à Psicologia do Desporto.

Esse trabalho requer uma avaliação inicial, onde se identificam as habilidades a serem mantidas, desenvolvidas, eliminadas e acrescentadas… quer para atletas, treinadores e equipa. Desenvolvendo um programa de treino que requer aprendizagem de técnicas, repetição e transfer para a competição. Este trabalho, como podem verificar não é da competência do treinador. O treinador pode melhorar as suas habilidades de concentração, comunicação, liderança, relação com o atleta e equipa, controlo emocional entre outros com este programa de treino, pois terá á sua disposição um profissional que o avalia e cria com ele um programa de treino especifico. O treinador tem de facto de ter conhecimento geral em Psicologia do Desporto, mas não é função dele desenvolver este trabalho ao longo da época desportiva.

FDF: QUE ELEMENTOS INTERVÊM NA PSICOLOGIA DO DESPORTO?

Luis Parente – A psicologia do desporto é um ramo da psicologia que apresenta um objetivo totalmente especifico para a população com quem trabalha, que é melhorar o rendimento desportivo através do treino de habilidades psicológicas. Para isso o foco central do trabalho passa por observar todos os elementos (atletas, treinadores, arbitros e demais agentes que ativa ou passivamente façam parte do processo) no seu contexto de atividade, ou seja, em contexto desportivo (treinos, jogos, estágios…), identificando e potencializando habilidades que ajudem  os ajudem a melhorar o seu rendimento desportivo!

Por isso posso referir que tudo depende do projeto desportivo e dos elementos que tenho para trabalhar. Por exemplo, na época desportiva que irá começar brevemente darei grande enfoque a árbitros, desde a elite à formação, sendo esses elementos que irei treinar. Em épocas anteriores estive inserido em equipa técnica e aí o trabalho é mais abrangente. Treinas atletas individualmente  e de acordo com as necessidades especificas de cada um, com o treinador e ainda integras componentes psicológicas em cada microciclo. Neste ponto, ajustado ás necessidades da tua equipa e, como estamos na era da estratégia, ajustado á estratégia especifica para o jogo do fim-de-semana.

FDF: EXISTIR UM LÍDER DENTRO DO BALNEÁRIO, É IMPORTANTE?

Luis Parente – Vou assumir o líder de balneário como sendo o capitão de equipa. É essencial existir esse líder. Há uma frase que acaba por ser um chavão mas que encaixa na perfeição ao capitão ou capitães – Dependendo do contexto e modalidade – que é “o capitão tem de ser a ponte e a extensão do treinador no balneário e em campo”. Não poderia estar mais de acordo.

O capitão tem de se identificar com a filosofia, identidade e modelo de jogo, isto no que diz respeito a questões de produtividade da equipa. Tem de se identificar com as regras e normas definidas no inicio da época para a estabilidade e ambiente de grupo e essencialmente de ter um conhecimento do clube, dos seus valores e de ser envolvido no processo de decisões. Ao ser envolvido e chamado para participar em algumas tomadas de decisão de destaque, o capitão/capitães sentir-se-ão elementos ativos e participativos no desenvolvimento e crescimento da equipa. Sentido forte pertença com o processo, sendo assim mais eficaz o seu importante papel no decorrer da época.

FDF: OS LÍDERES NASCEM NATOS OU SÃO FORMADOS PARA ESSA FUNÇÃO?

Luis Parente – Todos os indivíduos no decorrer da sua evolução apresentam uma influência no contacto com a sociedade de caráter biopsicosocial. Ou seja, as nossas caraterísticas biológicas (caraterísticas físicas), o desenvolvimento das nossas caracteristicas psicológicas através do contacto que vamos tendo com o meio social e a forma como nos posicionamos socialmente, influenciam diretamente na construção da personalidade e do desenvolvimento humano. Por isso existem individuos com predisposição para papeis de liderança e outros nem tanto. A liderança caracteriza-se pela capacidade que o lider tem de influenciar positivamente a sua equipa no decorrer de um projeto/processo.

Desta forma podemos dizer que os tais indivíduos que apresentam caraterísticas favoráveis partem em vantagem, destacam-se nos grupos desde cedo, pela sua visão, influencia, assertividade, confiança e capacidade de comunicação. Porém todas essas caraterísticas são treináveis podendo cada um de nós treinadores, desenvolver essas habilidades para sermos lideres mais eficazes e completos no contacto com a nossa equipa. Sendo estas componentes comportamentais adquiridas no contacto com a prática, em formações, nos cursos de treinadores e no contacto com profissionais nesta área especifica do treino.

FDF: QUAL O FUTURO E EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA DO DESPORTO E O QUE SE PODE ESPERAR DESSA ÁREA NO FUTURO DENTRO DO FUTEBOL E EM ESPECIAL NO DE FORMAÇÃO?

Luis Parente – Antes de tudo temos de analisar algo essencial. E atenção que vou focar-me só no futebol. Quantos clubes da primeira e segunda divisão em Portugal têm profissionais em Psicologia do Desporto ou departamentos de Psicologia, para além de Futebol Clube do Porto, SL. Benfica, Sporting C.P., SC. Braga e talvez Guimarães? Parece-me que muito poucos. Agora por outro lado, quantas necessidades são levantadas no decorrer da época desportiva que deveriam ter a intervenção de um profissional na área? Vejamos algumas “Não estávamos preparados emocionalmente”; “Sofremos um golo e deixámos de seguir o plano de jogo”; “Tantos amarelos que vemos devido a reclamações com árbitros.”; “Chegou-nos um talento e não se está a adaptar… o que se passará?”; “O treinador dos infantis só reclama com os jogadores”; “Como vamos lidar com os pais????”.

Fazendo um cruzamento entre a realidade atual, que é, ausência de profissionais de Psicologia do Desporto em grande parte das estruturas dos Clubes das duas divisões mais competitivas e o número de necessidades que esses mesmos clubes levantam por época e que teriam sem dúvida uma eficaz resposta com a Psicologia do Desporto integrada, só tenho uma forma de ver o futuro: a de juntar a necessidade à qualidade que a Psicologia do Desporto apresenta para a optimização do rendimento em contexto sénior, bem como à construção de alicerces fundamentais na construção do jovem… enquanto ser humano e atleta. Quando este fator estiver assente e claro para os decisores, não tenho duvidas que terão reunidas todas as condições para que se torne num aspeto comum, ver um Profissional em Psicologia do Desporto integrado no clube, envergando o seu símbolo, fato de treino e presente no local de prática… o campo!

FDF: DEFENDE O DESPORTO COMO UMA DIVERSÃO PARA AS CRIANÇAS E A NECESSIDADE DE SABER COMO GERIR O SUCESSO E O FRACASSO QUANDO SE ENTRA NA COMPETIÇÃO?

Luis Parente – O desporto deve ser sempre uma diversão!! Podemos perguntar a cada uma das referências das principais  modalidades sobre o que motiva cada um: Grande parte vai responder a paixão pelo que faz! Por isso desde a base que se deve preservar a diversão, não só como filosofia mas também – fazendo o transfer para o campo –  com conteúdos de treino que promovam essa estimulação e realização pela atividade. Uma criança com um sorriso na cara e com liberdade de ação, no seu contacto com bola  terá uma predisposição muito maior na aprendizagem. A tal aprendizagem guiada… onde não somos nós técnicos a solucionar… apenas damos pistas para a solução.

Quanto ao gerir o sucesso e fracasso, tudo depende do que consideramos sucesso e fracasso. Como já abordei esta questão em cima deixo apenas algumas interrogações. O que é o sucesso.  Ganhar? Jogar bem? Melhorar componentes do nosso jogo? E o fracasso. Também tem só a ver com o resultado? Ou poderá também ter a ver com o processo de crescimento da equipa?

Desejo a todos uma óptima época desportiva.

Um abraço!

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.