Ansiedade no desporto: o penálti

Em Artigos de Opinião, Escolar - Artigos de Opinião, Futebol Formação, Psicologia do Desporto/ Coaching Desportivo por AdminDeixe um comentário

“O estádio estava composto, o tempo estava agradável. Tantas perdas de bola… passes falhados. Os adeptos impacientes iniciam o ritual tão português que é o de assobiar, o de chamar nomes aos jogadores, aos técnicos e às respetivas progenitoras. Após sucessivas perdas de bola, o fim do jogo aproxima-se e surge uma falta dentro da grande área… penálti!!!”

O MEDO DE FALHAR: MARCAR OU NÃO MARCAR?

O penálti é considerado a melhor oportunidade para marcar golo e também a mais fácil, por isso, não são admitidas falhas.

Teoricamente, o penálti é o momento mais fácil de se conseguir o objetivo do jogo. A remota possibilidade de falhar pode conduzir os atletas a um elevado nível de ansiedade, em que sentimentos de nervosismo, de preocupação e apreensão se associam à ativação do corpo: marcar ou não marcar?

No desporto de competição, são vários os fatores que influenciam o desempenho do atleta: a pressão imposta pelos próprios, o tempo de jogo, o resultado, a viagem, os técnicos entre dezenas de outros… e o penálti.

Se um atleta vivenciar a situação de competição com sentimentos de competência, de valor, orgulho e satisfação, a sua autoconfiança vai certamente sair reforçada. Se, pelo contrário, dominarem sentimentos de fracasso, desajustamento, vergonha e insatisfação, o atleta tenderá a aumentar as dúvidas quanto às suas capacidades competitivas e, a médio prazo, mudar os seus objetivos de participação.

As manifestações mais frequentes de falta de confiança são evidenciadas pelas expectativas negativas do atleta e pela dúvida, que originam ansiedade, perda da capacidade de atenção e concentração. Numa situação extrema é aquele atleta que se desvaloriza de uma tal forma que se autoconvence que, qualquer que seja o esforço que manifeste, terá sempre resultados desastrosos. Surge, inevitavelmente uma incongruência entre o que sabe fazer e o que acha que consegue fazer.

Um atleta que falhe um penálti será certamente crucificado pelos adeptos: nos pés dele estava o resultado certo no marcador, estavam pontos para o campeonato, lugares na tabela classificativa.

Um atleta que falhe um penálti irá colocar em causa o seu desempenho, irá viver com o sentimento de culpa, com o aperto no peito… cada jogo irá ser um desafio para o corpo e para a mente. O corpo vai castigá-lo com suores frios, com palpitações, com sensação de falta de ar, etc. Por sua vez, a mente, essa,

vai-lhe provocar ainda mais dor, vai lembrá-lo a cada instante que é um incompetente, que no lugar das chuteiras tem uns tijolos, que só está a estorvar no jogo…

Se é possível viver assim? – sobreviver é possível. Quando o atleta decidir destruir todas estas “barreiras” psicológicas, sim, vai Viver de novo.

Estes momentos difíceis são muitas vezes traumáticos e vão condicionar o atleta durante muito tempo, fazendo-o desistir dos seus sonhos.

Nas situações mais graves, a psicoterapia pode ajudar a ultrapassar os medos que se instalam e que insistem em não sair do nossos sonhos.

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