Novo regime de transferências 2017/18

Em Futebol Formação, Futsal Formação por AdminComentários de 14

Na sequência da revisão estatutária de que foi alvo a Federação Portuguesa de Futebol, muitas das matérias cuja competência estava sob a alçada da assembleia geral do organismo passaram a ser da exclusiva responsabilidade da direcção e, em particular, do seu presidente, cujos poderes ficaram amplamente reforçados.

Uma medida que pretendeu agilizar processos muitas vezes de difícil concertação entre os sócios ordinários da FPF e cuja resolução, quase sempre, se arrastava por tempo demasiado. E quando se pretendia colocar uns grãos na engrenagem, nada como propor a criação de uma comissão, um qualquer gabinete de estudo, quase sempre composto por sumidades, mas que sobre os assuntos em causa, a sua vivência, experienciação ou conhecimento, era pouco ou nenhum.

Talvez por isso, esse açambarcar de atribuições por parte da direcção da FPF não tenha sido visto com maus olhos. Fundamentalmente por quem defendia uma maior celeridade e operacionalização de deliberações daquele órgão, cujas consequências atingem, na maioria dos casos, o futebol amador, nos seus variados escalões.

Contudo, o anúncio do Comunicado Oficial nº 1 da FPF para a época desportiva 2017/2018 revelou algumas surpresas, nomeadamente no que concerne a um novo regime de transferências e ao pagamento de taxas de compensação que lhe estão subjacentes.

Uma decisão que apanhou todos de surpresa, o que não é de espantar, tal o impacto que irá ter na formação das várias equipas dos escalões de formação. Deste modo, aquilo que se registava até aqui era a livre circulação dos jogadores após o final da época desportiva, ou até mesmo durante a mesma através da disponibilização da carta de dispensa, realidade que deixa de acontecer, no primeiro caso.De uma forma simplificada, irá voltar a existir a obrigatoriedade do pagamento de um valor aquando da transferência de um jogador entre clubes, sendo que o remanescente do valor base, 37,50 €, reverterá para o clube do qual o jogador é proveniente e que é apurado com base em coeficientes variáveis. Ou seja, quanto maior for o número de jogadores a transitar do clube A para o clube B, maior é o valor a pagar. Só a título de exemplo, o primeiro jogador pagará 37,50 €, o segundo esse valor a multiplicar por três, o terceiro por 7,5, o quarto por 20, o quinto por 25 e o sexto e subsequentes por 36, isto, repito, nas transferências de jogadores para um mesmo clube. Traduzindo em números, o sexto jogador ao trocar o clube A pelo clube B, este último clube estará obrigado a pagar uma taxa de transferência no valor de 1350,00 €.

Pese embora o Comunicado Oficial nº 1 já ter sido publicado, várias diligências ainda estão a ser feitas no sentido de propor alguns reajustamentos com o objectivo de minorar as consequências do agora revelado.

Uma coisa é certa, o degradar de relações entre dirigentes, pais e atletas de vários clubes está tão próxima de acontecer como eu estar aqui a escrever estas palavras.

E se o espírito que esteve na base destas alterações pode ter sido a defesa dos pequenos clubes contra as investidas dos denominados grandes, não me parece que tenha sido a melhor forma de o fazer, pois nunca estes últimos irão recrutar um número considerável de jogadores a um só clube e ressarcir o mesmo de quantias elevadas. Pelo contrário, aquilo a que se assiste, por vezes, e em virtude de simples mudanças de treinador de um clube para outro, é a debandada de muitos atletas para um qualquer clube vizinho. E nesses casos, a fatura a pagar vai ser elevada.

Continuação: “Regime de Transferências” nos escalões de futebol e futsal de formação, enquadramento e a necessidade de regulação

Fonte: Nuno Pedro, Futebol de Formação

Comentários

  1. Alberto Gonçalves

    Tenho uma dúvida pedia o favor se alguém me pode ajudar.E quando o atleta paga um montante todos os meses no clube de origem e o atleta troca de clube por não poder pagar a mensalidade,ou mais que um atleta trocam todos juntos de clube por não poderem pagar o clube que os recebe também pagam estes valores?

  2. André

    Acho bem salvaguardar os clubes ditos pequenos, mas há a outra face da moeda anda um miúdo a pagar para jogar (treinar) num clube dito pequeno e por vezes nem joga, quer queiramos ao não há sempre entereces.
    E vem um clube da nacional e por acaso vê que esse miúdo até tem valor para jogar na nacional e quer levar o miúdo mas não está disposto a pagar por isso.
    E vai o clube cortar as pernas ao miúdo só por dinheiro alegando formação.
    Formação PAGA PELOS PAIS isso sim é que não está correto

    1. Silvio

      Formação que não seja paga pelos pais, não existe em nenhum lado. Os clubes têm custos, com treinadores, alugueres de recintos, policiamento, organização de jogos, arbitragens e outras despesas que têm de suportar.

      Esta deliberação não vai cortar pernas a nenhum miúdo, porque no final da época todos os miúdos são livres de assinarem por outro clube. Vai impedir sim, que um clube recrute um treinador e esse treinador leve quinze miúdos com ele, tornando muitas vezes os clubes reféns de determinados treinadores, cujos projectos pessoais são mais importantes do que o clube que representam.

      Todos conhecemos situações destas. Treinadores e pseudo-dirigentes que mudam de clube todos os anos e querem levar todos os atletas consigo, obrigando o clube anterior muitas vezes a extinguir o escalão, porque verem sair todos os seus atletas no final da época.

      Para além disso, a questão de aparecer um clube do Nacional que quer recrutar um miúdo dos Distritais, continuará a acontecer naturalmente, como até agora, não se cortando as pernas a nenhum miúdo. Já me parece pouco provável que um clube do Nacional, se lembre de recrutar seis, oito ou dez miúdos ao mesmo clube dos Distritais, pelo que essas taxas a pagar, dificilmente acontecerão.

      1. António Silva

        Ou seja se um clube aumentar exageradamente a mensalidade e se só houver um clube ali “ao lado”, e todos os putos quiserem ir para lá não podem por causa “do clube ser refém do treinador”…?????? Pior se o treinador for uma pessoa sem princípios e ninguém estiver satisfeita e se quiserem mudar em grupo…não podem…ou seja …os clubes não podem ser “reféns”, mas as crianças/jovens já podem ???? mas está tudo louco…???

  3. Afonso

    Não discordo de que os clubes depois de lhes dar formação sejam reembolsados pela mesma.
    Mas e os pais que andam anos a pagar a formação dos seus filhos não têm direito a serem indeminizados porquê?
    Quem paga a formação deles?
    Os clubes têm custos mas os pais também,desde a mensalidade,quite de treino,transporte etc.Também deveriam ser reembolsados com parte da transferencia.

  4. Alexandre

    Quando querem meter os filhos ( também tenho ) na Natação pagam, na Ginástica Pagam , no Judu pagam , etc , etc ,etc .
    Só no futebol os Pais se consideram injustiçados por pagarem ( também pago ) quando os clubes teem despesas com inscrições, água, luz , material, aluguer de campos muitas vezes ou a própria manuntenção, treinadores e por aí adiante.
    Que de uma uma vez por todas esqueçam a ideia de que o que pagam ao clube esse enriquece com isso, cada vez mais os clubes contam tostões para ter as portas abertas e permitir que os nossos filhos joguem futebol, enquanto eles quiserem e não porque nós queremos.
    Acho muitos bem essa medida para acabar de uma vez por todas com o regabofe dos clubes estarem refens deste ou daquele treinador

    1. António Silva

      Mas na Natação, Judo ou ginástica se quiserem mudar de clube pagam transferência ???? As comparações não devem ser feitas apenas na parte que interessa…
      E Regabofe é miudos que pagam para puderem praticar desporto associativo (sim não são todos Ronaldos alguns querem apenas jogar á bola), e não poderem escolher o seu clube no inicio de cada ano….acho mesmo muito mau….

  5. Cultural Ardegães

    A montanha pariu um rato, continua tudo na mesma, afinal os pequenos continuam á merce dos “vampiros”. É ver o comunicado nº 8 da FPF. com o titulo “Clarificação Tabela 5”.

  6. Alcino Rodrigues

    Tenha a FPF e a AF Porto a coragem de aplicar estas “medidas” nos campeonatos distritais de futsal. É o que falta !!!

  7. António Silva

    Ou seja o meu filho joga no clube X se nesse clube escolherem um treinador que a nível pessoal não tem valores (é que estamos a falar de Crianças/jovens) , ou se aumentarem a prestação de 20 para 50 Euros por exemplo, ou se alterarem o horário do treino (existem logísticas familiares), ou se alterarem o espaço geográfico e se só houver um clube ali ao lado que permita que um grupo de miúdos possa continuar a praticar desporto…se não houver dinheiro para se pagar as transferências esses miúdos terão de deixar de praticar desporto….e está tudo preocupado com a M….dos clubes estarem ou não reféns dos treinadores…o mais importante são as crianças….abram a pestana, não são os clubes e os seus interesses (sim nos clubes pequenos as escolinhas é que pagam tudo…- por isso têm equipas B(s) e C(s) e até D(s)….) portanto tenham dó…e em vez de se preocuparem com as prestações que os clubes deixam de receber preocupem-se é com o que é melhor para as crianças/jovens

  8. C.Alberto

    Onde se verifica mais estas situações de ir treinador e levar o plantel ou clubes a aguentarem sobre grande numero de atletas , passa se na Distrital e ai sim deveria existir tal regra pois clubes que andam anos a formar para depois vir em clubes da mesma distrital levar 7 , 8 e ate 9 atletas de outro clube.
    F.P.F. deveria estar atenta , pois qualquer dia os clubes formadores acabam perante clubes mecenas.

    1. António Silva

      Ou seja nem quem paga tem direito a escolher o sitio onde vai pagar….é isso que me estão a dizer ??? quando não se pagava nada e os clubes tinham realmente despesas com os miúdos eu compreendo agora numa altura que os pais é que pagam inscrições na FPF, seguro, Inspecção médica…e ainda se paga uma prestação…haja paciência…

  9. Luís Nunes

    O desporto é um complemento no desenvolvimento dos jovens/crianças, vou dar um exemplo do meu filho, quis ir jogar futebol, logo tentei contraiar essa decisão, foi treinar no clube da terra, começou nas escolinhas, logo senti melhorias académicas e fisicas no pekeno, passou depois para as equipas desportivas federadas, chegou um treinador novo, com toda a sua sabedoria e conhecimentos, tinha uma equipa de 14 miudos, treinava 7 /8 jogadores á parte os outros inclusive o meu ficavam hora e meia a jogar á rabia, entre outros situações de até entregar uma convocatória de um jogo ao miudo e depois quase quando entra no carro para ir para casa mandar alguém chamar miudo para lhe retirar a convocatoria da mão para entregar a outro, mau , muito mau, isto entre outras situações, obviamente foram dadas estas faltas de formação , caracter ao coordenador inclusive presidente, que fizeram ??? Zero, nada,.
    Nesta época 2017/2018 entra em parceria com clube da terra Academia Futebol Sporting, com todas as condicões que daí advêm desde mensalidades a pagar pelos pais incomportaveis ( 54€ ) fora outras coisas, agora digam-me uma coisa SR.s intelegentes que fizeram este comunicado, que proteçção fazem ao meus e os outros miudos que passsaram o que passaram, não qierem ficar mais neste clube, e divertirem-se noutro lado, ser felizes, terem que ser pagos valotes incoportaveis de transferências, qual foi a proteçao das crianças, acham certo??, aconselho vivamente este debate, é isto o incentivo á pratica desportiva, todos os miudos serão jogadores da bola???, no meu caso quero que ele seja feliz, ele depois de 2 anos podemos dizer infernais quer experimentar um clube novo, possivelmente vai deixar de jogar com 12 anos, porque eu como pai não tenho capacidade financeira para comportar valores astronomicos por uma criança pequena, nem o clube para onde queria ir, que é clube pequeno, mas que preveligia a felicidade dos pequenos, enfim desculpem o desabafo mas o FUTEBOL é uma Treta.

  10. Desformação

    Venho por este meio pedir Ajuda/Esclarecimento.

    O meu filho prática futebol num clube local, de algum tempo para cá tem havido uma serie de factores que tem levado o miúdo a ficar desmotivado por tal actividade neste clube e com o treinador correspondente…No inicio do ano, a quando da inscrição perguntei como seria se quisesse desistir depois de iniciado as competições associadas ao escalão…Foi-me dito que a criança poderia desistir a qualquer momento…. caso fosse experimentar a mesma actividade num clube diferente, seria cedida a carta de desvinculação….Este ano a clube já emitiu esta carta, a um outro atleta que abandonou o clube em causa.
    Neste momento o meu Filho não quer mais ir para este clube, por motivos diversos…
    Neste momento passamos a ter um problema, pois segundo o clube não deixa o atleta ir para mais lado nenhum, a tal carta de cedência é negada…

    Alguém me pode ajudar. possivelmente existem muitas crianças nesta situação…

Deixe um Comentário