O mental coaching e a formação de jovens atletas

In Artigos de Opinião, Atletas - Artigos de Opinião, Escolar - Artigos de Opinião, Futebol Formação, Orientação e Controlo de treino, Psicologia do Desporto/ Coaching Desportivo, Treinadores - Artigos de Opinião by RedaçãoDeixe um comentário

Nos últimos anos, o número de pessoas a praticar desporto aumentou quase exponencialmente. Com o aumento dos atletas veio também o aumento da competitividade, mesmo quando esta é “apenas” connosco próprios ou com o nosso grupo de amigos. As pessoas passaram a treinar em vez de só praticar desporto, passaram a investir mais no desporto, seja em tempo seja em dinheiro.

Naturalmente, esta alteração no tipo de vida teve consequências nas nossas crianças que, mais cedo do que mais tarde, despertaram para o desporto e para a realização de “competição”. Apesar das aspas, já há muitos jovens atletas que encaram o desporto como competição, sem aspas, com tudo o que isso acarreta em termos de situações mentais e emocionais a trabalhar.

Se o Mental Coaching é cada vez mais encarado como algo importante ao nível dos atletas adultos, ainda não dedicamos a mesma importância ao Mental Coaching para jovens, e isso deve-se à perspectiva adulta do desporto jovem.

As motivações dos jovens para a prática desportiva são muitas e variadas, mas a grande maioria refere que estão relacionadas com o convívio com amigos e a diversão, o prazer que sentem no que fazem. Apesar disso, muitos são os casos em que os jovens se sentem pressionados e tentam comportar-se como atletas profissionais, que deixam de sentir o prazer do caminho para se preocuparem apenas com o resultado.

Estas situações podem ter diferentes origens e vários desfechos para a criança ou jovem. E poucos são os desfechos positivos. Normalmente, esta passagem do prazer de fazer desporto para a competição, tem origem nas referências adultas que o jovem tem. Podemos estar a falar da pressão que os pais ou treinadores colocam nos atletas, quando “incentivam” demasiado ao esforço – incrível como os pais e treinadores gritam com os jovens para estes darem mais um pouco de si, para chegarem primeiro ou mais depressa à meta, para marcarem mais um golo -, ou como não reconhecem o esforço se o atleta não vence.

Nestes casos, e porque nem todos podem vencer, ou o atleta vence e vê reconhecido o seu valor – até não vencer, claro -, ou o atleta não vence e a sua autoestima e autoconfiança vêm por aí abaixo, criando bloqueios pessoais e emocionais que podem levar, numa primeira fase, à rejeição do desporto e, numa fase mais adulta, a outros problemas mais graves.

Uma outra situação comum em jovens atletas é quando estes querem atingir as expectativas que acham que os pais ou treinadores têm em relação a eles. Neste tipo de casos, já há uma questão emocional que o jovem deve trabalhar e resolver, pois estaremos a falar de algum tipo de carência. É por isso, para colmatar essa carência, que o jovem procura constantemente esse reconhecimento externo a si. No entanto, mesmo parecendo um paradoxo, por mais reconhecimento que os pais ou treinadores tenham em relação ao jovem nesta área, nunca será suficiente. Para a criança ou jovem, nunca será suficientemente a forma como é reconhecido, ou porque o entusiasmo não foi suficientemente grande, ou o carinho suficientemente demorado, ou outra qualquer razão inconsciente.

O trabalho de Mental Coaching com atletas é, sobretudo, um trabalho de equilíbrios. Mais vale a mais que a menos, mas tudo o que é demais, faz mal. Logo, é importante equilibrar as coisas. No caso dos jovens, o trabalho deve seguir o mesmo princípio: Equilíbrio.

No entanto, deve ser abordado em duas vertentes diferentes: a criança/jovem e os pais/treinadores. Dificilmente a criança irá dizer aos pais ou treinadores o que realmente a aflige, preocupa, stressa, sente falta, etc, podendo dizer e trabalhar todas essas questões com o Mental Coach.

É a identificação do que a criança sente que irá permitir passar à segunda fase: o trabalho com os pais/treinadores. Que estão os adultos, mesmo que de forma inconsciente, a passar para a criança que está a originar a situação? É isto que devemos descobrir e trabalhar com o adulto.

A parte desportiva da nossa vida é apenas isso mesmo, uma parte, pelo que na maioria dos casos, os comportamentos do jovem atleta são apenas um espelho, ou uma consequência, de algo que se passa em outras partes da sua vida.

Realizar o trabalho de Coaching com estes jovens e adultos, irá ajudar a criar e a potenciar os equilíbrios mentais e emocionais para que, não só tenha as suas expectativas desportivas adequadas a si, como volte a sentir prazer no deporto e, mais importante ainda, se torne um adulto mais equilibrado, mental e emocionalmente.

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