Os árbitros e os pais dos meninos – Deixem os pequenitos divertirem-se, porque eles têm tempo de sobra para crescer

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Alguns dos jovens jogadores do Leganés enviaram uma carta aos seus pais, apelando para que tivessem mais educação e civismo quando fossem vê-los jogar futebol. Diziam que estavam cansados de ver os pais a por em causa a honestidade dos árbitros, a competência dos treinadores e a lealdade dos colegas.

Naturalmente que generalizar seria cometer uma enorme injustiça para todos os pais que são modelos de conduta mas a verdade é que o que esse desabafo reflete o sentir de muitos outros meninos, da mesma idade.

A opção prematura pelo desporto devia servir para que as crianças fizessem o que mais gostam, sem restrições nem condicionamentos. Claro que é bom ganhar, marcar golos e fazer a diferença. Mas, quando se tem sete, oito ou nove anitos, isso pouco importa. Bom mesmo é desfrutar. Sentir leveza e alegria.

Se não lhes permitirmos esse encantamento, corremos o risco de torná-los em adultos pré-fabricados. Pais e treinadores devem assumir a responsabilidade de preservar neles essa inocência, sendo certo que chegará o momento em que terão de aprender os conceitos básicos, fundamentais para o seu crescimento enquanto atletas.
Mas mesmo isso não pode pressupor o atropelo a valores tão importantes como o desportivismo, o respeito pelos árbitros/adversários, o saber perder e ganhar.

Se nunca assistiu a um jogo dos mais pequenitos, fica o desafio: um destes dias, vá a um campo perto de sua casa e veja uma partida de escolinhas, infantis ou iniciados. Observe bem a alegria dos pequenitos e o comportamento do “público”. Predisponha-se a ouvir com atenção.

Tenha em conta: o que vai ver não é futebol profissional nem uma final da taça. É apenas e só um jogo de bola com crianças.

São palavrões disparados a torto e a direito. Para o pai do número seis dos rivais, para a mãe do colega que não passa a bola ao filhote, para o massagista que demora na assistência ou para o treinador que põe o menino a suplente.

A sensação que dá é que as pessoas, boas por natureza, são mordidas à entrada por uma matilha de cães com raiva e passam o tempo todo a espumar, a destilar veneno e cuspir ódio.

Sabemos que as nossas crias são de ouro, mas temos responsabilidade direta naquilo em que se irão tornar quando crescerem. É importante que percebamos que “Messis e Ronaldos” são exceção e que a maioria jamais passará dos escalões de formação ou patamares amadores.

Deixem os pequenitos divertirem-se, porque eles têm tempo de sobra para crescer.

NOTA – Também é verdade que há árbitros com comportamentos inacreditáveis: imagem desleixada, abuso de poder e postura provocatória. Esses faziam um favor ao futebol se fizessem as malas e não voltassem mais. O recrutamento é difícil, mas isso não significa ter que aceitar na arbitragem pessoas com exato perfil daqueles que criticamos.

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