Os novos intervenientes no futebol de formação: o “Chico esperto”, o “Tuga”, o “Treinador galinha” e a “Barriga de aluguer”

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O Verão quente de 2017 ficará na memória de todos…

Os novos intervenientes no Futebol de Formação: O “Chico Esperto”, o “Tuga”, o “Treinador Galinha” e a “Barriga de Aluguer”

Muito já se escreveu, já se comentou sobre a novidade trazida pelo CO nº 1 da FPF, posterior CO nº 8 da FPF e agora há dias um correio eletrónico (também está na ordem do dia no Futebol Português…) mas ainda assim, gostaria de deixar algumas questões que me preocupam, sobretudo porque no próximo dia 15/12/2017 fará 22 anos em que o futebol mudou com a conhecida “Lei Bosman” decretada pelo Tribunal Europeu de Justiça e no futebol de formação em Portugal “ditam-se” regulamentos que na prática são o inverso desta sentença histórica.

Não teria sido mais fácil, o regulamento ter saído em Abril ou Maio?

Não sendo possível, não valia mais este regulamento ter sido trabalhado com os vários intervenientes e entrar em condições na próxima época?

De modo a todos os clubes estarem preparados para a mudança?

Todos sabemos como as associações gostariam de começar a época nos prazos programados, com o trabalho feito, de modo a cumprirem com as suas diretrizes.

Será benéfico penalizar os clubes que têm vindo a estrutura-se e que estão a trabalhar bem, com planificação, com organização e no final de Maio (términus da competição oficial), já estão a preparar a próxima época, com equipas, jogadores, técnicos, massagistas e colaboradores assegurados?

Parece-me 1 de Julho muito tarde para os clubes que são organizados, que se preocupam em cumprir os prazos dados pelas associações para inscrições e planificação da época refazerem e anularem situações já realizadas.

Penso também que se o regulamento fosse redigido a pensar em resolver as questões pertinentes do Futebol de Formação (CO nº 1 FPF), não seria necessário um segundo comunicado (CO nº 8 FPF) e uma adenda (email da FPF de 20/10/2017) já com os campeonatos a decorrer.

A questão de “os clubes que se entendam?”, é fugir à responsabilidade de quem faz um regulamento, todos sabemos que o “TUGA” é um ser especial, logo estamos a dar asas à imaginação de cada um (logo um regulamento devia de ser explicito e conciso)

Ao levantar-mos a lebre do “Chico Espertismo” estamos a criar vários problemas:

1 – Chico Esperto é quem contorna um regulamento omisso?

  1. a) Tenho conhecimento de vários clubes que solicitaram explicações às Associações de Futebol e as mesmas foram remetidas para “ler o regulamento”

2 – Em que categoria classificamos o “Chico Espertismo” daqueles Presidentes e clubes que em Maio dispensaram jogadores e treinadores numa politica interna de diminuir os atletas de formação e apostar em menos equipas e “maior qualidade!” para depois, com a saída do regulamento, não abdicarem de receber a taxa de transferência e até agradecerem ao regulamento, porque correram com os miúdos e ainda vão receber dinheiro por isso?

  1. a) Vamos criar categorias para os “Chicos Espertos”?
  2. b) Vamos classifica-los por cores? por números?

3 – Quando a FPF e as Associações apostam na formação e campeonatos, por ano de nascimento, temos clubes a dispensar jogadores, a reduzir a formação, onde iram cair estes miúdos?

  1. a) Na rua?
  2. b) Abandonam?
  3. c) Ou mudam de clube?
  4. d) Se mudam, tem que pagar?

4 – Terá saído este regulamento e adenda para estes “Chicos Espertos?”

5 – Durante a época esta adenda continua a existir?

  1. a) Uma criança por vários motivos, desde financeiros, de logística, de má adaptação, etc. Para mudar de clube, vai ter de escolher um clube onde não tenha vindo nenhum colega do clube anterior?
  2. b) Os pais é que vão suportar mais um custo de inscrição e taxa de transferência?
  3. c) Não nos podemos esquecer que em 99% dos casos, a formação é paga, já é um custo para os pais, as crianças não têm direito a mudança?

6 – Cada caso novo que surja vai sair outro correio eletrónico a alterar as regras do jogo?

7 – Os pais depois de serem barrados num clube, por já lá estarem outros miúdos que jogaram na época anterior no mesmo clube dos seus filhos, experimentam outro clube (mais uma figura a “Barriga de Aluguer”), não gostam e mudam, também é considerado “Chico Espertismo” ou é “Tuga”, é “Barriga de Aluguer”, ou vamos ainda criar outra figura nova?

Atenção que não estou pessoalmente envolvido em clube nenhum e o meu filho, “aprendiz de futebol”, não passou por nenhuma destas situações, preocupa-me agora, como me preocupava nos finais de Junho, quando tive conhecimento destas mudanças e senti-me na obrigação de intervir, no sentido de as mesmas serem melhores, mais claras.

8 – Fiquemos todos com uma ideia muito certa, estes custos vão refletir-se nos miúdos, logo, nos pais, isto estará certo?

9 – Será lícito uma tabela de transferência, ser igual para jovens atletas dos campeonatos nacionais e dos distritais?

  1. Estes atletas não vivem realidades diferentes?
  2. As condições de treino, jogo e de clubes é completamente diferente, nos distritais praticamente todos pagam mensalidade, nos nacionais será assim também?

10 – A adenda que chegou via correio electrónico da FPF, para combater o “Chico Espertismo”, diz que durante a época se existirem transferências, quem recebe a taxa é o clube de origem da época anterior.

Como vivemos na “TUGOLANDIA” e temos mais uma figura no futebol o “Treinador Galinha”, como ficam os novos casos que possam surgir:

  1. Se o “Treinador Galinha” em Dezembro resolver sair do clube onde esta (atenção que este “Treinador Galinha” na época anterior estava noutro clube) e levar os “pintainhos”, quem recebe?
    1. Pelo Email da FPF será o clube de origem da época anterior
    2. Mas o ultimo clube já pagou as taxas de transferência quando inscreveu os jogadores
    3. O clube da época anterior recebe 2 vezes?
    4. O atual clube que pagou, quando perde os jogadores fica a ver navios?
    5. Ou sai em Dezembro outro correio eletrónico e outra adenda?
    6. A época de 2017/2018 vai ficar conhecida pela época das adendas feitas à medida e ao acontecimento?
    7. Ou vamos continuar a defender o entendimento, o bom censo, quando todos sabemos pelas rivalidades, pela proximidade dos clubes e porque estamos a falar de seres humanos e de dinheiro, logo o bom censo é à “Tuga”, todos ressabiados uns com os outros e desejosos de vingança.

Esta situação é um mero exemplo de muitas outras que podem e viram a acontecer e não foram acauteladas neste regulamento repentino.

Sou e serei sempre um adepto da mudança e de um Futebol de Formação melhor, mais organizado e menos penalizador para as crianças e seus pais, pois, para custos já temos os nossos impostos e as nossas dificuldades do dia-a-dia.

Sou e serei sempre um adepto da organização, mas, bem-feita, atempadamente e com regras claras e bem orientadas, penso que tínhamos e temos todo o tempo do mundo para o fazer, depressa e bem não há quem.

Alguns dirigentes muito presentes nas redes sociais, manifestaram grande entusiasmo pelo fato de estar previsto no presente regulamento a primeira e maior exceção ao pagamento de qualquer valor, e passa pelo acordo escrito entre as direções dos dois clubes em que o clube de origem prescinde do pagamento pela transferência de atletas, mas para haver acordo terá que as duas partes estarem interessadas no bem-estar dos miúdos, e basta um não querer e já não há acordo.

Por outro lado a questão passa por que razão e de acordo com o correio eletrónico da FPF de 20/10/2017 se afirma que existem transferências massivas e crescentes!

Porquê?

Se está tudo a correr bem porque existem?

Uma das respostas é dos chamados “Treinadores Galinha”, que ao sair do clube, levam os atletas, mas a ser assim é culpa de quem?

  1. Do clube onde estavam e não os souberam manter (e ainda vão receber por isso, como prémio)?
  2. Dos pais que decidem levar os atletas, porque o treinador mostrou ser competente e acima de tudo, os pais querem a felicidade dos filhos?
  3. Alguém acredita que um pai (seja do próximo CR7, chame-se “José Veiga”) ou apenas tenha a noção que o filho gosta de jogar futebol e de estar com a equipa que muda de clube mesmo que o clube de origem tenha feito um trabalho de qualidade, em síntese, até é uma contradição porque se os atletas seguem o treinador é porque os pais perceberam que o treinador era o único elemento de ligação aos atletas, ninguém da direção se preocupou com os atletas!
  4. Alguém se preocupou de saber junto dos pais e dos miúdos porque escolheram o clube B em vez do clube A onde estavam! Ou são os treinadores que assinam as fichas de inscrição na AFL?

Citando uma frase de um artigo que li, “E quando chega à nossa casa, aqui D’el Rei, que são todos uns bandidos, sejam dirigentes, treinadores ou encarregados de educação, Tudo gente sem escrúpulos”, os que hoje concordam com isto tudo, pensem um bocado, amanhã está a bater à vossa porta, sejam dirigentes, treinadores ou encarregados de educação, depois não digam que não foram avisado, a moeda têm cara e coroa…

Quem hoje está feliz por receber dinheiro qual quer merceeiro, têm que ter 2 noções:

1- Ganhou dinheiro com crianças

2- Quando precisar de jogadores, vai ter de pagar, novamente estamos a falar de crianças

Só vejo um tipo de clubes a sair bem desta confusão, aqueles que estão organizados, a trabalhar bem, com bons dirigentes, onde a preocupação principal está na formação, nas crianças, no seu bem-estar, no melhorar serviços, infraestruturas, condições de treino e rodeado de bons profissionais e colaboradores sérios. Estes clubes estão defendidos por natureza do “Chico Esperto”, do “Tuga”, do “Treinador Galinha” e da “Barriga de Aluguer”.

Todos os outros clubes que vivem do disparate diário, sempre á espera do subsídio, do esquema, mal organizados e a remar contra as diretrizes da FPF e das Associações, estes sim, precisam de regulamento e adendas.

Assim sendo e para fechar, é urgente regulamentar, organizar o Futebol de Formação, mas, com cabeça tronco e membros, de baixo para cima. Como em qualquer construção, não podemos começar uma casa pelo telhado, temos que começar com os alicerces, com a base, as várias fases da construção precisa de tempo pra consolidar antes de passar à fase seguinte, nem tudo está mal, pelo contrário, já existe muita coisa bem-feita e consolidada, temos de continuar a trabalhar e ter sempre presente o principal:

No Futebol de Formação, em primeiro veem as crianças, a sua felicidade, a sua alegria em jogar futebol, o seu bem-estar.

Fonte: Paulo Vaz em Futebol de Formação

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