Uma nova ditadura no futebol de formação e as (des)(fraudes) de uma tabela de transferências

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Para que não haja dúvidas escrevo este artigo como pai e treinador de futebol de formação.

Cada época desportiva inicia-se a 1 de Julho de cada ano e termina a 30 de Junho do ano seguinte, o inicio da época é formalmente iniciada com a publicação do Comunicado Oficial (CO) nº 1 da Federação Portuguesa de Futebol.

Esta época desportiva assim aconteceu tal como consta no documento, “ Aprovado na reunião do Comité de Emergência da Federação Portuguesa de Futebol, de 29 de Junho de 2017, de acordo com o disposto no artigo 10.º e nas alíneas a) e c) do número 2 do artigo 41.º, do Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de Dezembro, na redação que lhe foi conferida pelo Decreto-Lei n.º 93/2014, de 23 de junho, e artigos 51, número 2, alíneas a) e b) e 53º dos Estatutos da FPF, para vigorar na época desportiva 2017/2018, com início a 1 de Julho de 2017 e termo a 30 de Junho de 2018 “

Bem o facto de ser aprovado em comité de emergência já não augurava grande coisa mas, para quem tem memoria talvez até se explique.

Espera-se que da Federação Portuguesa de Futebol com o prestigio que tem não haveria qualquer duvida sobre qualquer comunicação. A reforçar está ideia foi a imediata reação de alguns dirigentes nas redes sociais a elogiar este CO nº1 da FPF como sendo fundamental para regular o futebol de formação.

Estas reações foram totalmente e só em virtude da introdução da tabela 5 – Quotas de transferência entre clubes nacionais.

Tabela esta que apanhou TODOS ou NÃO ??!!?? De surpresa!!!

Os interessados (alguns……)  leram e desde logo surgiu dúvidas pedidos de esclarecimento,etc. Mas afinal a Direção da Federação Portuguesa de Futebol achou necessário vir esclarecer através do seu CO 8 para clarificar e veio introduzir algumas excepções. E então a clarificação resume-se em:

1- A isenção passou de um para dois jogadores.

2- A redução significativa dos fatores multiplicativos a aplicar em todas as transferências.

3- A introdução de não aplicação da tabela em várias excepções nomeadamente as alineas b,c, d do nº 1.

Mas então se estava bem feito porque razão se vem clarificar e com alterações profundas nos fatores e nas isenções??? Qual não é o meu espanto os mesmos dirigentes continuam a achar que esta clarificação vem reforçar e regular o futebol de formação.

Em Agosto quem teve possibilidade foi de férias.Alguns clubes retomam a sua actividade e iniciam a pré- época a meio de Agosto.

Iniciam a maioria dos campeonatos de Futebol 11 no inicio de Outubro.

Então em 20/10/2017 o Secretário Geral da FPF emite uma nota de esclarecimento por email para todas as Associações onde ficámos a saber em primeira mão (recordo que nem a FPF nem nenhuma associação de futebol fez qualquer esclarecimento sobre as razões e a base para esta alteração que consta na tabela 5) que afinal “A implementação da Taxa progressiva tem como principal fundamento a regulação e a limitação das transferências massivas, cada vez mais crescentes entre clubes ……….” e “……… Não pode a FPF tolerar qualquer tentativa de contornar a implementação da taxa progressiva , …………, sob pena de se aceitar uma autêntica fraude à regulamentação desportiva. ………”.

E neste mesmo email veio a seguinte regra:

“1-Sempre que na mesma época desportiva um praticante seja inscrito num determinado Clube e, posteriormente, ainda na mesma época desportiva, noutro clube de destino, deve ser sempre considerado para efeito de aplicação da Taxa progressiva, o clube de origem na época anterior e o Clube final de destino.”

Bem voltei a ver os mesmos dirigentes muito satisfeitos por este email que aparentemente introduz uma REGRA com efeitos retroactivos a 1/7/2017 (relembro alguns campeonatos já começaram e outros que ainda não começaram foi porque foram adiados e seguramente nada terá a ver com estas alterações ……)

Portanto até aqui temos da FPF; Um CO n 1 não suficientemente claro e omisso, o CO 8 atenua os factores progressivos e introduz exceções e um email em Outubro a sugerir uma REGRA a ser aplicada com efeitos retroativos a Julho passado.

Bem sei que estamos em Portugal e infelizmente estamos mal habituados mas o País até é agradável está é muito mal frequentado.

Afinal a Instituição Federação Portuguesa de Futebol e as Associações Distritais e Regionais de Futebol sabem que;

Existem transferências massivas entre clubes formadores e decidem aplicar taxas progressivas a partir do 3 jogador. De facto estou certo que o problema é este do futebol de formação.

Numa altura em que a seleção A de Portugal está no seu auge ao nivel dos resultados, onde treinadores das seleções nacionais jovens como Rui Jorge, Hélio Sousa, Emilio Peixe, Filipe Ramos, treinadores de guarda-redes Fernando Brassard, Pedro Espinha, Pedro Roma estão a fazer um trabalho notável e unanimemente reconhecido por todos e após a FPF ter assumido como objectivo ser a Federação com maior numero de jogadores federados estou desiludido e triste, porque não se preocupam com as causas e querem penalizar o efeito.

1- Porque razão existem transferências massivas ?

2- Em Portugal a situação do futebol de formação é igual em todos os distritos ?

3- Existe a mesma realidade na mesma Associação Distrital ?

4- O problema são os pais “Jorge Mendes” os misteres “Mourinhos” ou os dirigentes ?

5- Os clubes vivem todos a mesma realidade de custos ?

Poderia continuar e fazer n perguntas que as instituições não estão sequer preocupadas nas respostas.

Não tenho formação jurídica mas para mim tudo isto está ferido de morte. Em primeiro lugar porque não existe o principio de igualdade entre o numero de transferências e são aplicadas taxas progressivas.

Quem decide quem é o primeiro ou o terceiro jogador ?? É o mês de nascimento, é a cor do cabelo, é ser destro ou canhoto ???

Depois veio a introdução de excepções, então um Benjamin está isento mas um Iniciado já não está, porquê ? Qual foi o critério ?

Então um email vem alterar o regulamento em vigor e ainda por cima com efeitos retroactivos ?? Ou será que os senhores não querem assumir que não pensaram e ainda menos souberam escrever um regulamento em condições e numa postura do , Quero,Posso e Mando, tentam compor algo que forem eles que estragaram, e muito !!!

Depois isto supostamente visa “obrigar” a manter os praticantes no mesmo clube porque as transferências massivas tem “……, com consequências negativas no processo de formação desportiva dos jovens praticantes. ……” segundo o email da FPF, mas porquê ? Todos os clubes são organizados, possuem condições de treino, tem dirigentes competentes, tem treinadores habilitados, a FPF e Associações garantem isso ???

Então não se devia primeiro aferir e avaliar que formação e em que condições são dadas pelos clubes? Então não se devia obrigar os clubes a apresentarem orçamentos anuais ?? Pois não interessa.

Também não interessa chamar clubes, pais e jogadores a explicar porque decidiram sair mas calma, se forem dois está tudo bem é normal se forem 3 já é estranho se for a equipa toda o problema deve ser por o treinador ser incompetente, ofensivo para os praticantes, mau formador ou então os dirigentes do clube de origem confiavam tanto nele que passou a ser delegado, roupeiro, secretário técnico, psicólogo, cobrador de mensalidades e se tivesse tempo, treinador.

Mas também podem ser os pais o problema mas mais uma vez se forem dois é normal se forem mais são mal formados e olham para os filhos como investimentos financeiros. Eu até acho que as associações deveriam fazer participação à comissão de proteção de menores destes pais inconscientes.

Mas será que as associações só querem as inscrições e passar a maioria dos praticantes para a esfera das Câmaras municipais para os campeonatos Municipais até por força dos recentes protocolos assinados entre a FPF e as Câmaras Municipais?? Será que querem que os campeonatos organizados sejam apenas realizados por “aqueles” clubes que podem fornecer jogadores a futuras seleções nacionais ??

Será que à semelhança da obrigatoriedade de policiamento (a ser pago pelos clubes) no Futebol 7 se só existirem campeonatos municipais, assunto resolvido, menos trabalho, menos jogos, menos árbitros, menos chatices.

Temos ainda a reação extraordinária de dirigentes de clubes que “perderam” praticantes muito felizes por irem receber euros referentes a essa perca, mas coitados, ou vão sair do clube e não estão preocupados com o futuro da formação no seu clube, ou ainda não perceberam que tem que fazer um grande trabalho de scouting porque só podem ir buscar dois miúdos ao mesmo clube, com a agravante que se perderam uma equipa completa tem de ir a onze, doze clubes para constituírem um plantel,

E então as Instituições que regulam o futebol português entendem que o grande problema é penalizar clubes recetores de jogadores (são seguramente maus, dão más condições, não tem treinadores habilitados, etc) e vai-se beneficiar quem não conseguiu manter no seu clube jovens praticantes ( que tinham tudo bom, certo e sobretudo era um clube organizado) e reforço a ideia os pais destes praticantes são seguramente inconscientes.

Porque não deixa de ser extraordinário virem dizer que a liberdade de escolha mantêm-se que este assunto é entre clubes, mas gostaria de saber até hoje quantas reuniões as associações promoveram com o objectivo de sentar à mesma mesa dois clubes envolvidos em transferências massivas, ou será , que os clubes que perderam praticantes até têm um saldo em conta corrente junto da Associação que até dava jeito ser creditada ?

Mas senhores das associações em contabilidade quando há um crédito há um débito !!!!

Fonte: Miguel Rodrigues em Futebol de Formação

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