Para marcar golos, a quem devo passar a bola?

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A Saúde do Futebolista

Para lá do desporto-rei, há um atleta que precisa de ser altamente acompanhado para dar o melhor de si em campo. Cada atleta é único com um potencial próprio, sendo que o seu rendimento físico e performativo depende de um amplo leque de fatores endógenos (intrínsecos ao atleta) e exógenos (extrínsecos).

Num desportista de Elite, todo o trabalho de otimização da performance deve incluir uma equipa multidisciplinar (preparadores físicos, equipa médica, nutricionistas, especialistas em análise e correção postural, psicólogos, fisiologistas, diretores técnicos entre outros profissionais) de forma a explorar e tirar o máximo proveito dos recursos que dispõe, como a condição física e mental, o domínio da técnica e tática, bem como condições materiais do local onde treina.

O futebol, devido à sua popularidade mundial, praticado por milhões de pessoas,         em todas as faixas etárias e em diferentes níveis (amador e profissional), é também dos desportos com maior taxa de incidência de lesões músculo-esqueléticas.

Parte dos futebolistas questionam o porquê de  alguns atletas terem éxito, parecendo que passam a maior parte do seu tempo livre a descansar, recostados a ver os jogos de futebol no sofá. Pois, mas estes mesmos atletas, os de SUCESSO tem particularidades que os tornam vencedores, comportamentos potenciadores do seu rendimento físico, tais como, o talento inato, a mentalidade vencedora, a dedicação no treino, a estabilidade emocional (vida familiar organizada), cuidados com a alimentação, o descanso e o trabalho de Prevenção de lesões (trabalho especifico e individualizado).

Nos últimos anos, o desporto tem sofrido alterações, nomeadamente no que diz respeito às exigências físicas que são cada vez maiores. Isto obriga os atletas a trabalhar muito próximo dos limites máximos, com uma maior predisposição para as lesões. Estudos demonstram que a maior parte das lesões desportivas mundiais decorrem no futebol, sendo que, destas apenas 10% são traumáticas. E as outras 90% como surgem e como se podem prevenir?

É do conhecimento geral que, nos últimos anos, existem inúmeros estudos que procuram avaliar a incidência de lesões e determinar quais os fatores de risco. Contudo, muito pouco se fala sobre a importância de estudar as alterações posturais dos atletas em idades jovens, de forma a procurar identificar se existe alguma relação entre as alterações posturais e se estas poderão ser causa de uma lesão, ou a consequência de lesões antigas.

Quando se realizam pesquisas com base científica, pode-se determinar o escalão em que estas ocorrem. A grande maioria das lesões ocorre no início da segunda década de vida e uma percentagem menor por volta dos 16 e 18 anos (profissionalização). Consta-se que, as lesões mais frequentes ocorrem ao nível do tornozelo, joelho e músculos da coxa. Quando se investiga a posição em que jogam, constata-se que, por ordem, surgem os laterais, seguidos dos que jogam a meio campo. Os que apresentam menor incidência de lesão são os guarda-redes, os defesas e os avançados. Torna-se assim determinante aliar ao estudo da incidência e prevalência de lesões, a análise dos desvios posturais e a possível associação entre as mesmas.

O espírito competitivo, aliado ao treino exigente e repetitivo, conduzem muitas das vezes à hipertrofia muscular e, com isto, à diminuição da flexibilidade e consequentemente a alterações posturais, explicados pelo encurtamento da cadeia muscular posterior em decorrência de mecanismos compensatórios. Quando estamos perante estas situações, o atleta está num processo de adaptação: alterações musculosqueléticas resultam em efeitos nocivos para a POSTURA CORPORAL. Na eminência de gestos muito específicos da modalidade, aliados a erros na execução técnica, há um aumento da incidência de lesões durante a prática desportiva.

Neste último aspecto importa salientar a importância da Postura corporal estática como determinante e influenciadora na execução do gesto técnico (dinâmica). Sendo que, a maioria dos jogadores de futebol apresenta pelo menos uma alteração postural e as mais frequentes são a projeção anterior da cabeça, o desnível dos ombros, postura escoliótica, a báscula da bacia, dismetria dos membros e as alterações da arcada plantar (pés assimétricos).

Muito se tem falado acerca da prevenção, mas a verdadeira atitude preventiva, promotora de saúde e da maximização da performance deve começar na fase inicial, isto é, na admissão à academia, passar a ser obrigatório, de entre outros exames, a realização da análise postural e do gesto técnico; dar ênfase ao tipo de treino e ter em consideração a fase de desenvolvimento em que o atleta se encontra e o tipo de exercícios que devem ser implementados ou não; destacar a técnica, a tática e a componente física do atleta, de forma a minimizar a incidência de lesões. Um dos aspetos mais importantes consiste no desenvolvimento de programas preventivos e a forma PEDAGÓGICA como estes devem ser incutidos aos atletas em fase precoces.

É, pois, determinante (também por motivos de saúde pública) intervir em fases precoces, tanto na fase de admissão nos clubes (aptidão física) como durante os diversos escalões. Ter atitude preventiva e não atuar apenas quando as lesões se manifestam!

Assim, o rigor científico aliado à prática médico-desportiva são cruciais e determinantes para a criação de novos estímulos, superação de obstáculos e no upgrade funcional de cada atleta.

E, Nunca se esqueça: para se marcar um GOLO é preciso DAR BOLA às questões realmente importantes que envolvem os nossos atletas!

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