Volta a Portugal: o que esperar de cada etapa

In Ciclismo de Estrada by RedaçãoDeixe um comentário

A Volta a Portugal disputa-se de 1 a 12 de agosto. Terá nove etapas em linha, um curtíssimo prólogo a abrir e um contrarrelógio não muito extenso a fechar. Pelo meio há um dia de descanso. Fique a saber o que esperar de cada uma das etapas.

Prólogo: Setúbal – Setúbal, 1,8 km 
Os regulamentos estabelecem que os prólogos devem ter menos de 8 quilómetros. A prova de Setúbal fica longe desse limite. Não será, salvo algum azar de maior para algum candidato, um dia para marcar diferenças substanciais. Espera-se uma corrida de exibição e de apresentação dos participantes ao público. A curta extensão faz com que os contrarrelogistas tenham em alguns sprinters mais talhados para este tipo de esforços poderosos adversários na luta pela primeira camisola amarela.

1.ª Etapa: Alcácer do Sal – Albufeira, 191,8 km 
O regresso do Algarve ao itinerário da Volta faz-se com uma chegada para sprinters numa cidade em que os puros velocistas sentem algumas dificuldades de colocação, tendo em conta a inevitabilidade de uma fase final muito técnica. A viagem é longa. Caso os corredores encontrem zonas de vento forte podem acontecer surpresas e cortes irreversíveis no pelotão. Será, pois, uma jornada de possível tensão.

2.ª Etapa: Beja – Portalegre, 203,6 km 
A etapa mais longa da 80.ª Volta a Portugal disputa-se integralmente em território alentejano. Ao contrário da véspera, esta viagem faz-se pelo interior, onde o calor costuma ser mais intenso. A possibilidade de vento é, novamente, uma realidade a ser seguida por atenção por todos quantos aspiram ao triunfo final. Os últimos três quilómetros são em ligeira subida, o que irá beneficiar os velocistas mais capazes de ultrapassar as inclinações, no caso de acontecer, como se prevê, uma chegada em grupo.

3.ª Etapa: Sertã – Oliveira do Hospital, 177,8 km 
A denominada “Etapa da Vida” vai homenagear as pessoas afetadas pelos incêndios do ano passado. Será uma jornada de solidariedade, mas, na estrada, não se esperam tréguas. O contínuo sobe e desce do terreno pode bem ser aproveitado para alguma equipa tentar fazer diferenças, surpreendendo os rivais que estejam mais focados nas tiradas teoricamente decisivas.

4.ª Etapa: Guarda – Covilhã (Penhas da Saúde), 171,4 km 
Após dois anos de ausência, a serra da Estrela é de novo palco de uma chegada de etapa. Não será na Torre, mas nas Penhas da Saúde. A subida para a meta faz-se desde a Covilhã, provavelmente a vertente mais difícil da serra da Estrela. Antes da ascensão às Penhas da Saúde (12,2 km a 7,5 por cento de inclinação média), os corredores vão subir à Torre via Seia (27,1 km a 5,2 por cento) e a Sarzedo (6,4 km a 4,4 por cento). Os puros trepadores irão jogar aqui uma cartada forte.

5.ª Etapa: Sabugal – Viseu, 191,7 km 
É a última etapa antes do dia de descanso e também a derradeira oportunidade declarada para os sprinters, pelo que não se espera vida fácil para quem tentar levar uma fuga até à meta. A chegada, na Avenida Europa, já é bem conhecida do pelotão português que encontra ali uma verdadeira pista de aceleração para os homens mais rápidos.

6.ª Etapa: Sernancelhe – Boticas, 165,4 km 
O regresso após o dia de descanso acontece com uma etapa traiçoeira. O perfil é muito acidentado, com três contagens de montanha de terceira categoria a antecederem a subida de primeira categoria instalada a 16,6 quilómetros da chegada, em Torneiros (5 km a 8 por cento), já depois da primeira passagem pela meta. Sabe-se que nem todos os corredores reagem da melhor forma ao dia de descanso, pelo que esta será uma jornada a seguir com atenção, dado que é bem possível que a luta pela vitória final tenha aqui um capítulo da máxima importância, com alguns favoritos a claudicarem.

7.ª Etapa: Montalegre – Viana do Castelo (alto de Santa Luzia), 165,5 km 
A ausência de bonificações na edição deste ano da Volta a Portugal torna a chegada ao icónico monte vianense menos relevante nas contas da geral. A subida, se bem endurecida, pode provocar alguns cortes entre os favoritos, mas as diferenças resumir-se-ão a isso, já que não haverá bonificações para somar aos cortes. Neste sentido, os corredores que almejam a oportunidade de vencer através de uma fuga devem ter esta ligação debaixo de mira.

8.ª Etapa: Barcelos – Braga, 147,6 km 
Uma daquelas etapas em que faz mais sentido a velha máxima segundo a qual são os ciclistas que fazem as etapas mais ou menos duras. Se atacada em força, a dupla subida ao Sameiro pode desmembrar o pelotão. Caso isso não aconteça, os velocistas podem estar na discussão da tirada, no centro de Braga. Tem sido este o cenário nas últimas vezes em que foi testado este circuito no final de uma etapa da Volta.

9.ª Etapa: Felgueiras – Mondim de Basto (Senhora da Graça), 155,2 km 
Rivaliza com a tirada da serra da Estrela no estatuto de etapa-rainha da Volta. A subida final, até ao topo do Monte Farinha, não tem um grau de dificuldade sobre-humano (8,3 km a 7,6 por cento). Só que, em 2018, a Senhora da Graça surge no penúltimo dia de competição, quando as forças já começam a faltar, e integrada numa etapa de grande exigência, que inclui ainda as subidas encadeadas de Alto da Barra (13,3 km a 5,8 por cento) e Barreiro (9,9 km a 6,5 por cento). É o dia do tudo ou nada para os trepadores.

10.ª Etapa: Fafe – Fafe, 17,3 km 
A Volta termina com um contrarrelógio, o mais curto de que há memória. Apesar de mais longos, nos últimos anos, os contrarrelógios finais nada decidiram, embora tenham condicionado totalmente a forma como decorreram as etapas anteriores, porque deixaram sob pressão os menos dotados para os exercícios individuais, postos perante a urgência de ganhar muito tempo nas jornadas anteriores. Desta vez, tendo o contrarrelógio menos de 20 quilómetros e não havendo bonificações durante a prova, a abordagem tática às etapas em linha será necessariamente distinta, com menor índice de condicionamento dos puros trepadores.

Percurso completo

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