António Machado: “O Benfica tem equipa para ser campeão”

In Polo Aquático by RedaçãoDeixe um comentário

O Benfica lidera o campeonato nacional feminino da 1.ª divisão ao fim da 5.ª jornada com quatro vitórias e os mesmos pontos (12) do Fluvial Portuense, campeão em título, mas com menos um jogo.

As vice-campeãs de Portugal, lideradas pelo treinador António Machado, começaram a época da melhor forma ao obter uma inédita vitória na casa do Fluvial (9-13), para depois manterem a invencibilidade com resultados dilatados frente ao LSXXI-Lousada (2-20), ao SSCMP-Paredes (4-23) e CAP-Pacense (1-21).

A FPN, iniciando uma ronda pelos clubes nacionais, foi ouvir o técnico do clube da Luz sobre o polo aquático do Benfica, este arranque de temporada e os objetivos para época.

No seu entender, há algum fator que diferencie o Benfica desta época do Benfica das últimas temporadas?

A principal razão é que este ano temos a Inês Nunes. Para mim é a melhor jogadora nacional. Após ter estado três anos em Espanha regressou àquele que é o seu clube, o Benfica, onde cria uma excelente dinâmica ao jogar na posição de ‘pivot’. Uma posição decisiva no polo aquático – como acontece com o andebol – criando uma dinâmica, uma confiança, que nos faltava nos outros anos e nos permite evoluir para outros patamares de jogo.

Recebemos a Inês Nunes, mas tenho de recordar que não temos o contributo da Ana Rute Estorninho, Marta Martins e Ana Brissos, o que trouxe oscilações na equipa.

Para além disso, a verdade é que há um trabalho de três anos com jogadoras novas sub-20 campeãs nacionais em 2016 que teve influência na qualidade e formação da equipa heterogenia quanto às idades – vão dos 13 aos 31 anos – que são todas uteis à equipa. Começa a existir qualidade de jogo. Não é uma questão do sete inicial, mas de rotação sem verificar quebra de qualidade.

Que objetivos pode assumir?

O Benfica tem equipa para ser campeão nacional. Esse é um objetivo assumido perante a direção. É evidente que ainda estamos num momento muito inicial do campeonato e estes bons resultados criam uma pressão com que temos de saber lidar. A forma como entendemos a nossa participação no nacional é: ‘jogo a jogo’. Se ganharmos atingimos esse objetivo.

Importante também é que temos um espirito, uma concentração e atitude muito boas na equipa. Considero que temos 23/24 jogadoras de qualidade equilibrada que podem realizar um trabalho intensivo que nos permite aproximar da realidade de jogo.

Que dificuldades encontra…

Temos muita dificuldade de disponibilidade de horários e de disponibilidade de piscina. Os treinos começam após as 21.15 o que para a área de formação é impossível. Contamos que tudo poderá melhorar com a criação do Centro de Alto Rendimento do Benfica em Carnaxide, permitindo maior disponibilidade de horários o Estádio da Luz.

E os adversários?

Não ignoramos que o nosso mais direto adversário, o campeão nacional, o Fluvial Portuense, viu a jogadora influente, Mariana Sarmento, passar para o papel de treinadora, assim como outra jogadora mais velha não deu o contributo.

Como analisa a vitória no Fluvial?

Não foi fácil. Foi um jogo equilibrado. Por nunca termos ganho no Fluvial, havia fatores psicológicos que influenciaram no desempenho das jogadoras.  Mas também podemos dizer que à 5.ª jornada estamos melhores que na nossa primeira jornada quando vencemos o Fluvial. Este jogo entre o Fluvial e Benfica não foi decisivo para o titulo, mas foi motivante porque consideramos que o Fluvial continua a ser o candidato.

Como avalia o polo feminino nacional?

Apesar de verificarmos que há uma série de equipas mais a Norte, parece-me que há uma onda de gente nova com qualidade no polo aquático nacional.

Em Paredes, em Gondomar não foi fácil vencer, tivemos e jogar bem para fazermos a diferença no marcador. Estou convencido que vem aí uma nova geração. O Fluvial, o Benfica tem elementos muitos jovens, uma faixa etária baixa renovada.

Como vê o papel dos clubes ditos ‘grandes’ no polo aquático?

Em qualquer modalidade a presença do Benfica, Sporting e FC Porto faz a diferença. Ainda não se conjugou essa possibilidade, mas no meu intender seria muito importante para a modalidade. A eventual entrada dos ‘grandes’ na modalidade, tenho a certeza que iria fundamental para dar o salto como aconteceu com o futsal onde já são profissionais.

Como encara o futuro do polo aquático no Benfica?

O projeto do Benfica visa ter equipa masculina, mas com trabalho de formação. Enquanto tivermos condicionados com horários e piscina não podemos. Isso será criado a seu tempo. A proposta de subirmos a piscina do Estádio da Luz para podermos realizar jogos é uma realidade que permitiria dar o salto na modalidade do clube.

No sector feminino, ano passado, fizemos uma grande aproximação ao topo do campeonato. Aqui não há prémios é algo para nós próprios. Cria-se uma ansia muito grande. Todos os jogos são importantes. O objetivo é ganhar. Se for por 1 óptimo. se for por mais… melhor. Se isso nos permitir ganhar não vamos desperdiçar, estamos focados.

Importante também é o ‘feedback’ que recebemos da direção: ‘o polo aquático veio para ficar. É um projeto com futuro. Isso dá motivação e liberta a ansiedade.

O ano passado, nos sub-18 e sub-20 fomos 3.ºs … queremos melhorar. Nas seniores fomos segundos na taça e no campeonato e nessa altura afirmei: mais tarde ou mais cedo vamos conseguir. O Benfica existe para ganhar.

Fonte: Federação Portuguesa de Natação

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