Guia de como pescar douradas por Fernando Agostinho

In Pesca by RedaçãoDeixe um comentário

AS DOURADAS, HABITAT, MORFOLOGIA E EFEITOS ECOLÓGICOS

O seu nome comum é dourada é um peixe com um alto valor gastronómico, bem como na pesca lúdica e desportiva , o nome é dado pela linha de cor dourada entre os olhos. É um peixe de ventre prateado e dorso acinzentado, com mancha negra por cima do opérculo e mancha dourada entre os olhos, envolvida por duas zonas escuras. Apresenta lábios grossos e dentes frontais fortes e pode atingir os 100 cm de comprimento e o seu peso até aos 8 quilos.

A pesca da dourada é geralmente feita a partir da costa em praias ou molhos, pois é aí que elas habitam geralmente, por uma ampla área que vai desde do Mar Mediterrâneo à América do Sul. Dependendo da sua maturação as douradas são mais comuns em certas áreas, por exemplo, as mais jovens junto à costa e ao litoral, enquanto os exemplares mais adultos se encontram em águas mais profundas.

A dourada gosta de fundos rochosos do sublitoral ou fundos arenosos. A reprodução da dourada é curiosa, pelo menos até 2 anos de idade são do sexo masculino, mas quando atingem os 3 anos de idade, tornam-se fêmeas com a capacidade de por ovos, esse tipo de espécie é conhecida como hermafrodita pro-normativa. Os meses durante o outono e o inverno são dedicados à reprodução. A dourada é sem dúvida uma das espécies com maior interesse no desporto da pesca. A sua dieta é baseada em pequenos peixes, crustáceos e moluscos.

  • Nome científico: Sparus aurata
  • Família : Sparidae
  • Peso máximo: 7 a 8 kg.
  • Comprimento máximo: 100 cm

Os efeitos ecológicos da pesca comercial e da pesca lúdica nas populações de douradas não são conhecidas visto que não existem avaliações cientificas disponíveis, no geral, a Dourada tende a ser relativamente resistente à sobrepesca.

A pesca de Arrasto é um método de pesca não selectiva com muitas capturas acessórias indesejadas, incluindo espécies sensíveis e protegidas de fundo ou pelágicas. Apesar do tresmalho fixo ser mais seletivo, não existem dados específicos sobre o seu impacto. A pesca de cana ou as armadilhas são mais seletivas, têm poucas devoluções e têm poucos impactos negativos ambientais, mas para isso caro companheiro não esquecer de deixar o pesqueiro limpo e devolver ao mar os exemplares sem as medidas legais, tamanho mínimo de captura 19 cm.

A PESCA DA DOURADA, TRUQUES, TÉCNICAS E CONSELHOS

Desafiando as temperaturas mais baixas e os ventos frios desta época do ano, o mar mais agitado, atrever-mo-nos na procura das primeiras douradas do ano em praias de areia, onde precisamos de condições muito específicas, de lançamentos longos e os melhores iscos para tentar capturar uma bela dourada. Entre o dia e a noite, jornada após jornada, lá nos chega o comentário de que elas encostaram em tal praia e que o companheiro de pesca capturou um belo exemplar de três ou quatro quilos, e isso faz-nos pensar imediatamente numa jornada de pesca, pensando que se uma dourada saiu naquela praia, talvez em outras praias que são semelhante na região poderemos ser nós a conseguir uma grande captura.

A PESCA DA DOURADA NO OUTONO/INVERNO, CONDIÇÕES NECESSÁRIAS

Com as condições meteorológicas e do mar a alterarem-se após o verão a entrada nas estações de outono e inverno trazem-nos condições de pesca distintas em que há dias que nos parecem alinharem-se para as condições ideais nos pesqueiros para tentarmos umas boas capturas de douradas que passam mais junto da costa em fundos rochosos bom para a pesca embarcada, mas também para a pesca de surfcasting pois elas vêm junto das praias à procura de comida.

Nem tudo se resume ao nosso desejo de obter uma boa captura, pois na prática nem sempre é assim, devemos analisar bem as condições do mar, do pesqueiro, do tempo para a pesca na praia, sendo que a pesca embarcada pode oferecer melhores opções em termos de fundos removidos e com mais comida e maior proximidade com zonas rochosas onde poderão estar as douradas com maior actividade, pescando até ao limite em qualquer uma das situações praticadas apostando em linhas ultrafinas, montagens discretas, iscos que permitam lançamentos longos no surfcasting tirando partido das melhores canas que tivermos, só assim poderemos conseguir alcançar os melhores fundos onde poderão estar as grandes douradas de outono e inverno.

Mas como sabemos depois de conseguirmos ferrar uma dourada ainda é necessário controlar a ansiedade e a adrenalina de sentirmos o peixe na linha e recuperar até nós através de uma bela luta pois estamos a pescar a longas distancia com linhas finas aguentando a tensão em todos os momentos e ir recuperando com o equilíbrio do drag do carreto o trabalhar da cana, não esquecendo que nos últimos dez a quinze metros da margem as grandes investidas para baixo que a dourada faz na tentativa de se libertar do anzol, o segredo é resistir à tentação de a colocar em seco e trabalhar, trabalhar até estar cansada e vê-la finalmente deitar-se já próxima da margem onde será mais fácil e seguro recolher o peixe.

ÁGUAS TAPADAS APÓS MAU TEMPO…

Pode ser uma das melhores opções que poderemos ter nas pescarias de inverno, pois em alguns pesqueiros de rocha com bons fundos é mais provável de podermos capturar douradas mesmo com aguas mais paradas e claras o mesmo não é tão válido para para que entrem nas praias ao alcance dos nossos lançamentos.

No nosso pensamento está que depois de dias de mau tempo, de mar com maior agitação marítima que movem as areais, os fundos, o alimento  e alterando as praias e pesqueiros para condições mais favoráveis à presença de bons exemplares., se o mar permanecer excessivamente parado por muitos dias, os fundos tornam-se mais compactados de tal forma que o peixe tem maior dificuldade em permanecer junto à costa pela dificuldade em encontrar comida, baixando a sua actividade na área de alcance dos nosso lançamentos, sendo por vezes suficiente o encrespar do mar através de ventos mais fortes para que provoque o levantamento das primeiras camadas de areia nos fundos especialmente em praias de baixa profundidade para que volte haver actividade dos peixe na procura de alimento mais próximo da costa ou das margens.

A PACIÊNCIA NA PESCA À DOURADA SERÁ A TUA MAIOR VIRTUDE

As condições para pescarmos podem não ser as melhores com mar bravo, ventos a soprar com intensidade podemos nos iludir e fazer de conta que sabemos como pescar, mas a pesca à dourada é complicada pela sua astucia, embora possamos conseguir mesmo nessas condições alguma captura, mas o custo será muitos estralhos enleados, linhas cruzadas e até mesmo outros percalços.

Devemos estar prontos para quando as condições forem melhores quer na diminuição do mar quer do vento, e se não poder ser nesse dia, seja no próximo esteja a efectuar lançamentos pois é de aproveitar sendo mais provável  o encostar do peixe para comer, de várias espécies e tamanhos e quem sabe entre as espécies uma bela dourada.

No entanto devemos ter em atenção nesta época do ano às possíveis alterações repentinas do tempo pois estamos a pescar com canas de carbono que podem atrair descargas eléctricas, se tivermos a pescar com bom tempo e um belo sol e houver uma mudança repentina, essa baixa de pressão e a instabilidade por vezes provoca que o peixe entre em actividade e por vezes muitos mais próximo das margens do que pensamos, devemos estar atentos e fazer uma procura com lançamentos a distancias diferentes com as várias canas de forma a detectar para onde se move o peixe possibilitando uma ou duas boas capturas.

Será que existe um ponto exacto para pescar douradas ?

Penso que não, mas devemos estar atentos a algumas zonas nas praias, como por exemplo diferentes zonas na cor da agua onde podemos localizar correntes de agua em especial em praias de pouca profundidade e possivelmente serão canais pelos quais os peixes se deslocam para entrar ou sair da praia á procura de comida, essas mudanças de cor podem também indicar diferenças de temperatura e geralmente zonas são mais fundas, sendo este um dos pontos que poderá fazer a diferença entre uma boa captura e uma grade.

Nos dias de águas mais calmas e quando todos esperamos que o mar tenha outras condições devemos estar atentos durante as marés vazias nas zonas onde podem remexer as areias na procura de conchas, vermes e outros bivalves podendo ser uma boa opção pescar nessa zona assim que possível nas marés seguintes.

MATERIAL DE PESCA PARA A DOURADA, LANÇAMENTOS NO LIMITE…

Salvo algumas excepções em que conseguimos capturar em lançamentos mais curtos, pescar no inverno em especial em praias de pouca profundidade e não só, temos que colocar o material de pesca a trabalhar no limite para se conseguir maiores distancias nos lançamentos, para estarmos mais perto de alcançar os nossos objectivos temos de montar os carretos com bobines de fio fino, chicote cónicos, canas com boa acção e capazes de suportar todo o impacto na altura do lançamento.

No Surfcasting e na pesca à dourada todo o material é posto à prova no seu limite durante o lançamento para se obter maiores distancias.

Isto pressupõe que estaremos a pescar com fio no carreto entre 0,16mm e 0,22mm na madre e com chicote cónico de 15 metros a começar entre os 0,18mm e os 0,24mm e a acabar entre os 0.50mm e os 0.57mm para suportar todo o impacto do lançamento, optimizando todo o conjunto de material para podermos ganhar metros nunca esquecendo a importância do tipo de chumbada a usar quer pelo seu formato quer pelas condições do mar em especial as correntes, ter cuidado especial na hora de levantar do fundo pois poderá estar assoreada e com fios finos poderá partir no nó de união das duas linhas, devem-se utilizar chumbadas tipo casting e evitar urfes e todos os tipos de acessórios que poderão reduzir as distancias do lançamento e também dar menos nas vistas.

Em termos de canas devemos optar por canas de carbono com ponteiras híbridas devido ao seu rendimento no lançamento e ajudam a detectar as picadas leves das douradas em grandes distancias, a isto juntamos para trabalhar um peixe grande com o drag do carreto mais solto, pois são canas mais cómodas, leves e ajudam bastante a cansar o peixe pela acção da sua ponteira ser sensível ajudando no trabalho de tracção sobre o peixe que temos no anzol.

TIPOS DE ISCOS NA PESCA À DOURADA

Aquele que mais me inspira confiança em qualquer zona é o Ralo, não sendo o mais aconselhado para longos lançamentos devido à sua fragilidade Uma vez que optamos por lançamentos de longas distancias devemos evitar iscos volumosos e pesados, assim sendo temos boas opções como as minhocas, o americano, a borracheira, as titas, os bibis tal como uma tira fina de choco fresco imitando uma minhoca ou um lingueirão/navalha, mas como também pescamos com duas ou três canas devemos colocar diferentes iscos e a diferentes distancias podendo assim serem usados iscos mais frágeis como mexilhão, ameijoa, ganso ou iscos mais pesados e volumosos como o caranguejo.

Depois de lançarmos só nos resta espera que este mítico peixe esteja activo na zona e devore o nosso isco dando aquela picada que tanto esperamos, não nos resta mais nada que estarmos preparados para esse momento de adrenalina e tensão, com muita calma segurando na cana e ajustando o drag do carreto e trabalhando o peixe numa recuperação lenta até ficar cansada, devemos ter atenção e cuidado com a proximidade de outras canas para as linhas não se cruzarem durante a recuperação, com a direcção que o peixe toma e as brutais arrancadas que elas fazem provocando momentos de calor, suor e muita tensão pois pescar com fios finos também ajuda no nosso subconsciente.

CONSELHOS PARA A PESCA À DOURADA COM SUCESSO

Neste tipo de pesca existem vários fatores que o poderão levar a ter mais ou menos sucesso.

  • A escolha do pesqueiro e a leitura das suas características e condições;
  • A escolha do isco pois não será igual estar a pescar na zona do Algarve, Costa Vicentina ou Aveiro por exemplo;
  • Quer se queira ou não, a escolha do material de pesca tem alguma influência na pesca às douradas, sobretudo nas linhas e anzóis;
  • Na execução do lançamento manter a bobine no seu curso mais elevado;
  • Após o lançamento ajustar a drag do carreto para que esteja preparado para a luta da recuperação;
  • Durante a  recuperação manter a cana a cerca de 45 graus, mais ou menos, e dirija o ponteira na direcção que a dourada esta correndo; acompanhando este trabalho com drag do carreto.
  • Após uma boa captura e uma luta de 5, 10 ou 20 min, reveja o nó de união da madre ao chicote cónico e troque o estralho;

Como a pesca não é uma ciência exacta, e depende da perícia e da experiência de cada um de nós pescadores o sucesso será sempre insistir e insistir… na procura da rainha Dourada!

Bons lances a todos !!!

Vídeos Sugeridos :

Fonte: Fernando Agostinho em Pesca Lúdica

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.