Meu filho jogo rugby! por Nícia Marinheiro

Em Artigos de Opinião, Escolar - Artigos de Opinião, Rugby por Paddy GreenleafComentários de 3

E então apareceu o Dany…

[Este é o segundo artigo da nova série em que convidamos mães e pais de jogadores de rugby a escreverem sobre a modalidade escolhida dos seus filhos.]

O meu filho tem agora 11 anos e aos 7 já tinha experimentado natação, karaté e claro, futebol… Lá ia correspondendo às exigências de cada modalidade mas ia porque tinha de ir, porque é bom praticar desporto, porque os amigos praticavam, enfim, porque sim… A natação é um desporto completo, diziam… O Karaté ajuda à disciplina e a concentração… O futebol… bem todo o rapaz tem de saber jogar futebol, não é assim?…  E então lá ia o Telmo, mais ao menos cumprindo a sua obrigação.

Como mãe motivava e assistia a competições, treinos, torneios o que fosse, mas havia algo que nos fazia esmorecer e então, mudava-se de modalidade. Ele nunca se sentia integrado, considerava que não fazia parte do grupo, achava que a equipa não precisava dele, havia sempre meninos em melhor condição física e com mais “jeito”, dizia ele…

Então um dia fomos procurar o rugby, porque não?…

Caminhando para o campo relvado onde umas crianças pareciam brincar, veio ao nosso encontro, a correr, como se estivessem à nossa espera, um miúdo pequenino, sujo de lama e cheio de sorrisos…

– Olá, eu sou o Dany e tu quem és, queres vir?

O meu filho sorriu, apresentou-se e não, não quis ir, aquilo era demasiado estranho para ele… Nunca os outros meninos, nas outras modalidades, quiseram saber quem ele era… Nas outras modalidades, ele era só mais um menino que praticava um desporto, tal como todos os outros… Mas ali não, ali só precisava de ir com ele e juntar-se ao grupo….

E o rugby é isto, simples…

O rugby é saber quem é o outro e estar ali, porque vai ser preciso, porque vai fazer parte do grupo, porque sem ele não há equipa… Não interessa se é o melhor, o maior, o mais pequeno, o mais magro, o mais gordo, o mais rápido, o mais forte ou o menos, não interessa… Só precisa de ser quem é e estar ali, para todos e qualquer um…

No rugby todos correm para a frente mas têm de passar a bola para trás…

O ensaio pode ser marcado por qualquer um, ou por um qualquer, e é sempre motivo de orgulho global porque se sabe que resultou do trabalho de todos.

Quem agarra a bola abraça-a com orgulho e corre com segurança confiante que o vão proteger até passar ao outro, que a quer abraçar também…

De facto, o rugby é um desporto de impacto mas é só isso mesmo. Nunca vi agressividade nem violência e, muito pelo contrário, vi e ouvi muitos gestos de companheirismo e palavras de respeito, mesmo vindas do adversário (se é que isso existe no rugby). Também nunca vi ninguém magoar-se com gravidade porque todos sabem, desde muito pequenos, que têm de respeitar o outro e que os seus atos têm consequências. Os jogadores de rubgy ouvem e cumprem os ensinamentos de quem os orienta, não há lugar para discussão ou discórdia, o treinador é o treinador e é ele quem transmite os princípios que eles seguem sem questionar… Simples.

O rugby é uma escola de vida… um universo de valores, entreajuda, respeito e ensinamentos…

Como mãe a única coisa que me perturba é a expressão: -“Mãeee, despacha-te que hoje está a chover…” (eu explico numa próxima).

Texto de Nícia Marinheiro

Comentários

  1. Maria Roquigny

    Quando li o texto, vi o meu Alex em cada linha.!
    Obrigado pelo magnífico testemunho.

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