Meus filhos jogam… RUGBY!! por Margarida Fernandes

Em Artigos de Opinião, Escolar - Artigos de Opinião, Rugby por Paddy GreenleafComentários de 0

Este artigo é o primeiro de uma nova série de textos escritos por mães e pais de jovens atletas que jogam rugby em Viseu. A modalidade está em clara expansão quer no país quer na região e ganha novos adeptos todos as semanas apesar de muitas pessoas ainda terem uma ideia pouco iluminada sobre o que é este desporto da bola em forma de melão, de fraternidade e abraços… Deixamos aqui as palavras de uma mãe que tem dois filhos a jogar rugby já na sua quarta época, que se calhar vão ajudar a explicar que o rugby, “Não é um jogo de violência, é um jogo de contacto físico, em que se joga dentro das regras.” E mais: “Não é hábito vermos esta pedagogia noutros desportos.”

Os meus filhos praticam rugby há três anos… 

    

…mas comecemos pelo início. Sempre fomos defensores (eu e o meu marido) que os nossos filhos praticassem um desporto, por motivos de saúde mas também de disciplina. Praticaram natação, mas também pretendíamos um desporto ao ar livre.

Certo dia, o meu marido chegou a casa e disse-nos que gostaria que os miúdos praticassem Rugby. Ficámos boquiabertos! Rugby? Que ideia é essa?

 Embora “conhecêssemos” de nome este desporto, na verdade (eu, e os meus filhos) não sabíamos nada dele. Como se jogava as regras, equipamentos, nem sequer que existia a modalidade em Viseu, apenas sabíamos que era um jogo colectivo, de contacto físico, muito praticado em determinados países, como a Inglaterra, Nova Zelândia, França.

Os miúdos disseram logo que não… creio que é o que, normalmente, o ser humano faz com tudo aquilo que lhes é desconhecido, tendencialmente, rejeitamos. Mas, o meu marido insistiu e levou os meus filhos a um amigo que praticou rugby durante muito tempo, no intuito do seu testemunho entusiasta os aliciar. E resultou… decidiram experimentar.

Informámo-nos de quando, iniciavam os treinos e na data levamo-los ao Fontelo. Falámos com o treinador, que nos acolheu com muita delicadeza e simpatia, eles entraram no campo e foram “praxados”( jogaram um bocadinho).

Depois desse dia, ficaram entusiasmados e quiseram inscrever-se.

Já passaram três anos, já mudaram de escalão e continuam a praticar este desporto, que embora não tenha grande dimensão em Viseu, tem levado o nome da cidade, um pouco por todo o país (e não deixam o nome da cidade ficar mal).

Mais do que definir o Rugby,  ou râguebi (em português), referindo que é um desporto colectivo, de intenso contato físico, importa testemunhar o que aprendi com este desporto.

Como nos torneios que a equipa tem são, normalmente, os pais que os levam, criámos um espirito de união e partilha. Partilha de desejos, cuidados e de lanches… sim, fazemos grandes piqueniques, todos juntos, partilhando a comida de cada família. Aprendi que o rugby exige respeito. Nunca assisti a um torneio, e já percorri alguns em vários pontos do país, em que fora ou dentro de campo se faltasse ao respeito pelo adversário. Todos nos respeitamos, pais, adeptos e jogadores, porque o espírito é o mesmo, partilhar momentos dos nossos filhos, e fazê-los crescer enquanto jogadores e seres humanos.

Aprendi que o rugby são regras. Não é um jogo de violência, é um jogo de contacto físico, em que se joga dentro das regras e que, curiosamente, quando um jogador faz falta e o árbitro interrompe o jogo para marcar a referida falta, tem o cuidado de explicar ao jogador porque é que marcou falta e qual foi o movimento errado que originou essa falta. Não é hábito vermos esta pedagogia noutros desportos, pois não?

Aprendi que o rugby é responsabilização. Neste momento, os meus filhos já foram a alguns torneios, inclusive durante fins de semana, sem nós, só acompanhados do treinador. E, ainda que fique sempre preocupada, sei que estão bem entregues, confio na organização, e por isso lhes entrego o meu bem mais precioso, mas acredito que lhes faz bem, responsabiliza-os, permite-lhes o convívio entre eles, enquanto equipa e com outras equipas.

Poderia continuar a apontar mais virtudes desta prática desportiva, mas não quero ser aborrecida.

Para mim, o rugby não é só um desporto, é uma forma responsável de viver.

Texto elaborado por: Ana Margarida Silva Fernandes

Mãe de 2 atletas sub 12 e sub 14 do Rugby Viseu 2001

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