Rui Pedro D´Ascensão – Um Santacombadense em New York

In Atletismo, Modalidades by RedaçãoDeixe um comentário

Rui Pedro em  New York City Marathon

Quando em 2015 li o testemunho do Filipe Mendonça sobre a maratona de NY, pensei que se algum dia fizesse maratonas, a de NY seria uma delas. Nessa altura, estava longe de pensar que passados 3 anos iria concretizar esse sonho.
Como nas outras preparações, a “viagem” para a maratona de NY começou 12 semanas antes. O carrossel habitual: carga, séries , longos, não posso ir jantar porque amanhã tenho longo, etc. Não me estou a queixar. Eu gosto dessa “viagem”. Inserir essa disciplina de treino no quotidiano acaba por me ajudar a fazer as outras coisas melhor.
Fui 5 dias antes para me ambientar a tudo, principalmente ao fuso horário. Como já tinha estado em NY, tentei não exagerar no passeio e a meio da semana cumpri o que tinha no plano e fui ao Central Park dar uma corrida. Só consegui fazer 8km muito abaixo do ritmo que pretendia. Sem força, cansado e dores estúpidas nas pernas. Estúpidas porque não tinha nada. É a cabeça a pregar-nos partidas e o corpo a descomprimir. Nesse dia vi também in loco as subidas que teria de fazer no final da prova, no Central Park.

Esse treino e um melhor conhecimento da altimetria da prova que vi na SportExpo serviu para eu “tirar o cavalinho da chuva” e de uma vez por todas decidir que a maratona de NY seria para desfrutar.
Fastforward para domingo.

Um dia com um tempo incrível. Frio q.b., temperaturas entre os 8º e os 12º. Perfeito. Conforme me tinham aconselhado, levei a roupa para me aquecer antes da prova começar e depois deixar a pessoas sem abrigo. O tempo de espera passa a correr e quando damos por nós estamos prontos para arrancar. Parti no tabuleiro inferior da Ponte de Staten Island sem GPS por isso os primeiros 2km não fazia ideia se ía rápido ou muito rápido. Devagar não ía de certeza. É muito difícil abrandar com a adrenalina, com as descidas e com aquele apoio. É incrível. Eles berram pelo nosso nome e pelo nosso país. Até aos 26kms fui a dar hi5, a agradecer e a rir. Cada bairro apoia de forma diferente, mas tudo numa quantidade como eu nunca tinha visto! Se eu já achava que os espanhóis eram incríveis a apoiar, para os americanos não há explicação. Não sei o que move aquela gente a passar horas a gritar por desconhecidos.
Família e amigos deram um empurrão aos 26km e eu sabia que íam estar novamente perto do fim, por volta do km 39. O que eu não sabia é que do Harlem até ao Central Park era sempre a subir. Paguei pelo entusiasmo inicial e inevitavelmente comecei a baixar o ritmo. Sem stress, isto está a ser espetacular e eu quero é desfrutar. Mas depois comecei a fazer contas e percebi que podia fazer RP (recorde pessoal). “Deixei lá tudo” (a foto não engana) e acabei a dizer uma série de asneiras, mas no final ainda soube melhor.

No próprio dia e no seguinte, passeamos a medalha com orgulho e somos mimados como heróis. E eu tenho a sorte de ter uma família e amigos incríveis que nos dias seguintes ligaram a dar os parabéns! Obrigado a todos. Sou abençoado por ter tido a oportunidade de fazer esta prova!
Posso fazer muitas maratonas, mas a primeira vez que fiz a de NY foi especial.
Eu volto, prometo!

 

 

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.